Santos reconhece dívida de R$ 90,5 milhões com empresa de Neymar e mantém CT como garantia
Novo aditamento contratual mantém centro de treinamento como garantia e remove cláusulas sobre reeleição de presidente e transformação em SAF.
Por Redação Diário Local
O Santos reconheceu uma dívida de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, empresa responsável pela gestão dos direitos de imagem de Neymar. O montante foi detalhado em um quinto aditamento contratual assinado pelo presidente do clube, Marcelo Teixeira, e pelo vice-presidente Fernando Bonavides, em 6 de abril de 2026.
Do valor total reconhecido no novo acordo, R$ 26 milhões correspondem a obrigações que já estavam vencidas. Os outros R$ 64,5 milhões aparecem como saldo ainda a vencer dentro do cronograma estabelecido.
Na última quarta-feira (22), o Santos informou que realizou um pagamento de aproximadamente R$ 11 milhões à empresa de Neymar. O recurso utilizado para amortizar parte do débito veio da venda do atacante Luca Meirelles ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.
O aditamento determinava que os 2 milhões de euros recebidos pela venda do jogador deveriam ser integralmente destinados ao pagamento do passivo vencido. O clube teria o prazo de 24 horas, após o recebimento, para repassar o valor à NR Sports, sob pena de multa de 4% sobre o valor total da dívida.
Com o pagamento de cerca de R$ 11,6 milhões (valor aproximado da conversão de 2 milhões de euros), o saldo devedor total deve cair para aproximadamente R$ 79,9 milhões. Desse montante, restariam cerca de R$ 14,4 milhões em valores vencidos e os R$ 64,5 milhões que ainda vencerão.
O novo cronograma estabelece que o valor remanescente será quitado em parcelas mensais, iguais e sucessivas, de R$ 1 milhão. O início dos pagamentos está programado para janeiro de 2027, o que transfere a maior parte da obrigação para a próxima gestão do clube.
O contrato determina ainda que, excepcionalmente, as parcelas serão pagas sem a incidência de correção monetária, juros ou multa. O documento não especifica o número total de parcelas nem a data para a quitação integral, deixando o cronograma completo indefinido.
O que muda com o novo acordo?
O quinto aditamento trouxe mudanças significativas em relação ao contrato anterior, assinado em 30 de dezembro de 2025. Naquela ocasião, a dívida já era reconhecida no mesmo valor de R$ 90,5 milhões, mas com condições de pagamento e multas diferentes.
O novo documento retirou cláusulas que previam o vencimento antecipado da dívida caso o atual presidente, Marcelo Teixeira, não fosse reeleito em dezembro de 2026. Também foi removida a previsão de vencimento imediato do saldo em caso de transformação do Santos em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Outra mudança importante foi a exclusão da multa diária de 1% do saldo devedor que era aplicada caso o clube não formalizasse a garantia sobre o centro de treinamento. No acordo anterior, o pagamento das parcelas vencidas contemplava correção monetária pelo IPCA/FGV, o que foi alterado no novo termo.
Garantia e papel do Conselho Deliberativo
O Centro de Treinamento (CT) Meninos da Vila, principal centro de base do clube, continua previsto no contrato como garantia real da dívida. O documento mantém a possibilidade de utilização do imóvel como suporte para o pagamento.
Entretanto, o novo aditamento estabelece que qualquer restrição sobre o imóvel, como hipoteca ou alienação fiduciária, depende de autorização prévia do Conselho Deliberativo do Santos. O processo deve seguir o Estatuto Social da instituição.
Para validar a restrição, é necessária uma reunião que conte com a presença de, no mínimo, metade dos conselheiros e a aprovação de dois terços dos membros presentes. O Santos não informou se a reunião do Conselho já ocorreu ou se há previsão para o encontro.
Questionada sobre o teor do aditamento e o novo cronograma, a NR Sports informou que não irá se manifestar. O Santos, por sua vez, alegou que respeita o compromisso de confidencialidade previsto no contrato e não detalhou o valor exato transferido ou a submissão da garantia ao Conselho.
