Sindicato critica contratos que entregam controle de clubes a investidores por 50 anos
Sinafut questiona contratos da FFU que transferem decisões estratégicas e ativos de clubes a agentes externos por décadas.
Por Redação Diário Local
O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) divulgou, nesta sexta-feira (14), um vídeo-manifesto criticando contratos no futebol brasileiro, como os firmados no âmbito da Futebol Forte União (FFU). A entidade questiona a transferência de controle sobre ativos, receitas e decisões estratégicas de clubes para agentes financeiros externos por prazos de até 50 anos.
Segundo o sindicato, os acordos permitem que investidores externos assumam o poder de decisão nas instituições esportivas. O Sinafut ressaltou que não é contrário à entrada de capital privado, mas defende que o aporte de recursos e crédito não implique a perda de autonomia decisória das organizações.
O ponto central da crítica do Sinafut refere-se a uma cláusula que exige 90% de aprovação para determinadas deliberações. Na visão da entidade, esse mecanismo permite que um investidor, mesmo detendo apenas 20% dos direitos, consiga bloquear mudanças relevantes no contrato, mantendo os clubes vinculados aos termos por cinco décadas.
Em julho, o sindicato acionou o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) contra a Sports Media Entertainment, sócia da FFU, e a Opea Securitizadora. Na ação civil pública, o Sinafut alega que o acordo viola a Lei Geral do Esporte, pois a legislação permitiria a negociação desses direitos apenas para organizações que integram o Sistema Nacional do Esporte.
O sindicato comparou a situação com uma proposta da Fifa para comercializar direitos da Copa do Mundo, que gerou resistência de entidades como a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa). Para o Sinafut, enquanto no modelo da Fifa o controle permaneceria com a entidade, os contratos no Brasil fariam o inverso.
Procurada, a Sports Media Entertainment afirmou que o prazo de 50 anos refere-se à sociedade constituída em formato de condomínio entre clubes e o investidor. Segundo a empresa, a estrutura e o prazo foram definidos em proposta apresentada pelos próprios clubes, com assessoramento jurídico especializado, para garantir a sustentabilidade de investimentos de longo prazo.
A empresa esclareceu que a comercialização dos direitos de transmissão ocorre em ciclos. No período atual, de 2025 a 2029, os direitos dos clubes da FFU na Série A foram negociados com Globo, Record, YouTube e Amazon, com previsão de novos ciclos após o encerramento deste período.
A Sports Media Entertainment também destacou que, entre 2024 e 2025, a receita média dos clubes integrantes do Condomínio Forte União (CFU) subiu de R$ 95 milhões para R$ 140 milhões. A organização afirmou que participa da estrutura como investidora minoritária e que o risco das operações é integralmente dos investidores.
