Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor provisório e cria a maior zona de livre comércio do mundo
Em vigor provisório desde maio, o pacto reúne mais de 700 milhões de consumidores e reduz tarifas, mas enfrenta entrave com barreira da UE à carne brasileira.
Por Diário Local
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia passou a ser aplicado de forma provisória desde 1º de maio de 2026, depois de aprovado pelos parlamentos dos países do bloco sul-americano e liberado pela Comissão Europeia. O pacto cria a maior zona de livre comércio do mundo.
O que é esse acordo?
É um tratado de comércio e cooperação negociado por mais de duas décadas entre o Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e a União Europeia. O objetivo é reduzir tarifas e ampliar o fluxo de produtos e serviços entre os dois blocos.
Qual o tamanho desse mercado?
O acordo abrange um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. A União Europeia vai eliminar tarifas sobre 95% das exportações do Mercosul em até 12 anos, enquanto o bloco sul-americano reduzirá tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos.
Como ficou a tramitação no Brasil?
O Congresso brasileiro aprovou o acordo em 4 de março de 2026, seguido pela ratificação do Paraguai em 17 de março. Na Argentina, o Senado aprovou o texto por ampla margem, tornando o país o segundo do Mercosul, depois do Uruguai, a referendar o acordo.
O que o Brasil ganha?
O acesso facilitado ao mercado europeu beneficia exportadores brasileiros do agronegócio e da indústria. Só o mercado de compras governamentais brasileiro, agora aberto a europeus em condições especiais, movimenta mais de 8 bilhões de euros por ano.
Há algum problema em andamento?
Sim. Em maio de 2026, a União Europeia suspendeu a importação de vários produtos animais brasileiros — carne bovina, aves, ovos e produtos da aquicultura — após concluir que o Brasil deixou de cumprir padrões europeus sobre uso de antimicrobianos em animais. O Brasil foi o primeiro país removido da lista de fornecedores autorizados sob essa regulação.
Por que isso é importante para o brasileiro?
O acordo pode baratear produtos importados e abrir mercados para exportações, gerando empregos. Mas o entrave sanitário mostra que tarifas menores não bastam: o Brasil precisa cumprir exigências técnicas para de fato aproveitar o tratado.
O que vem pela frente?
A aplicação provisória já libera parte dos benefícios, mas a plena vigência depende de etapas de ratificação na Europa. A resolução do impasse sanitário será decisiva para o setor de carnes, um dos carros-chefe das exportações brasileiras.
