Mulher pode ser a primeira executada no Tennessee em 200 anos após condenação por assassinato em 1995
Christa Pike aguarda execução por injeção letal pelo estado do Tennessee; advogados tentam adiamento de última hora.
Por Redação Diário Local
Christa Pike pode ser a primeira mulher executada no estado do Tennessee em mais de 200 anos. A execução por injeção letal está programada para esta quarta-feira (30), caso não receba clemência do governador estadual, Bill Lee.
Pike, de 50 anos, foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos, ocorrido em 1995. O crime aconteceu em um acampamento de treinamento para adolescentes em Knoxville, no Tennessee. Na época, Pike tinha 18 anos e agiu em conjunto com o namorado, Tadaryl Shipp, que recebeu sentença de prisão perpétua.
A execução é marcada por debates sobre o histórico de violência sofrido pela condenada. A defesa de Pike apresentou um pedido de clemência de 226 páginas, buscando suspender a pena com base em novos detalhes sobre sua infância, que incluem relatos de abusos físicos e sexuais repetidos.
O que diz a defesa de Christa Pike?
Advogados e especialistas em direitos humanos argumentam que o histórico de vulnerabilidade de Pike não foi devidamente processado durante o julgamento original. Segundo a equipe de defesa, o júri não teve acesso a detalhes de uma infância marcada por negligência e abusos cometidos por familiares e conhecidos.
A defesa também destaca que Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar na prisão em 2021 e que apresentava episódios de estresse pós-traumático não tratados. Para os advogados, se o crime fosse julgado sob a ótica de sua condição mental e do histórico de traumas, a pena de morte poderia não ser aplicada.
A especialista em questões de gênero e pena de morte da Faculdade de Direito de Cornell, Sandra Babcock, que trabalhou na defesa, afirmou que o caso é singular devido à combinação da juventude de Pike com seu histórico de violência sexual.
O posicionamento da família da vítima
A mãe de Colleen Slemmer, May Martinez, manifestou apoio à execução. Ela afirmou que deseja que o processo seja concluído para que sua filha possa, finalmente, descansar em paz. Martinez declarou que busca o desfecho do caso para aliviar o sofrimento causado pelo crime ocorrido há 31 anos.
O Supremo Tribunal do Tennessee negou, nesta semana, o pedido de Pike para suspender a execução. Até o momento, o governador Bill Lee não concedeu clemência em casos de pena de morte no estado, o que torna o adiamento de última hora uma medida incerta.
