Diário Local
Abelardo de la Espriella

Presidente eleito da Colômbia depende de apoio dos EUA para enfrentar crise fiscal e de segurança

Vitória apertada de De la Espriella exige respaldo de Donald Trump para lidar com dívidas e combate ao narcotráfico

Por Diário Local

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, precisará do apoio do governo dos Estados Unidos para enfrentar uma série de obstáculos estruturais, que incluem uma situação fiscal crítica e o avanço de grupos armados ligados ao tráfico de drogas. O respaldo de Donald Trump é considerado fundamental para garantir estabilidade econômica e reforçar a segurança no país.

A eleição, decidida por uma margem estreita, coloca o advogado de 47 anos diante de desafios imediatos. Entre os principais problemas estão uma rede elétrica fragilizada, dívidas acumuladas no setor de saúde e um cenário de insegurança provocado por quadrilhas de narcotráfico.

Como está a situação fiscal da Colômbia?

O novo governo assume com um cenário de endividamento preocupante. Sem a implementação de cortes de gastos ou aumento de impostos, a previsão é que o déficit fiscal atinja 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, de acordo com o economista Camilo Pérez, do Banco de Bogotá.

A confiança dos investidores, que inicialmente reagiu positivamente à vitória de De la Espriella, pode ser testada caso não haja um plano de ajuste fiscal convincente. A S&P Global Ratings já havia rebaixado a nota de crédito da Colômbia em abril, após mudanças nas regras fiscais durante a gestão de Gustavo Petro.

Para reverter o quadro, De la Espriella prometeu reduzir gastos públicos e tributos, além de fomentar a exploração na indústria petrolífera. Miguel Gómez, indicado para o Ministério das Finanças, afirmou que o orçamento para o próximo ano deve crescer menos do que a taxa de inflação.

Quais são os desafios na segurança pública?

O combate ao crime organizado é outra frente prioritária. O novo presidente busca o suporte de Washington para intensificar ofensivas contra chefes de cartéis e conter a expansão de milícias armadas. Atualmente, o número de militares e policiais colombianos caiu 13% nos últimos quatro anos, totalizando 400 mil agentes, segundo a Fundação Ideas para la Paz.

A crise de segurança é agravada pela produção recorde de cocaína e pela necessidade de manutenção de equipamentos, como helicópteros. O apoio dos Estados Unidos é visto como peça-chave para fortalecer as Forças Armadas e realizar operações de erradicação de plantações de drogas e inteligência.

Além disso, há um clima de tensão política. O governo de transição chegou a suspender reuniões de transferência de comando após o ex-presidente Gustavo Petro questionar a legitimidade do resultado eleitoral. A posse de De la Espriella está marcada para o dia 7 de agosto.

O risco de crises energéticas e de saúde

O governo também herdará dívidas significativas com distribuidoras de energia elétrica e com o sistema de saúde. No setor de energia, a previsão de temperaturas mais altas devido ao fenômeno El Niño pode aumentar a dependência de usinas termelétricas, que possuem valores a receber do governo atual.

Já no setor de saúde, operadoras acumularam dívidas de quase US$ 10 bilhões com hospitais e fornecedores. Especialistas apontam que a assistência dos Estados Unidos poderá ajudar a Colômbia a obter empréstimos com credores internacionais para atravessar esse cenário de incertezas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.