EUA expressam preocupação com expulsão de suposto espião russo determinada pelo Brasil
Governo americano afirma que repatriação de Sergei Tcherkasov prejudica esforços globais de contra-inteligência e combate a interferências.
Por Diário Local
O governo dos Estados Unidos manifestou forte preocupação e desapontamento com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de autorizar a expulsão do cidadão russo Sergei Vladimirovitch Tcherkasov do Brasil. O Departamento de Estado americano afirmou, em nota divulgada nesta quarta-feira (8/7), que a medida representa um revés para os esforços globais de contra-inteligência e para a cooperação jurídica internacional.
Tcherkasov é apontado por investigações conjuntas da Polícia Federal (PF) e do Federal Bureau of Investigation (FBI) como um oficial de alta patente do serviço de inteligência militar da Rússia. Segundo as autoridades, ele operava internacionalmente utilizando a identidade falsa de brasileiro, sob o nome de Victor Muller Ferreira.
A decisão de expulsão administrativa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira (6/7). O russo cumpre pena de 5 anos de prisão em um presídio federal em Brasília por falsidade ideológica e a medida o deixará proibido de retornar ao Brasil por 30 anos.
O que diz o governo dos Estados Unidos?
Em nota oficial, o governo dos Estados Unidos sinalizou que a decisão brasileira de permitir que um indivíduo com vínculos conhecidos com a inteligência russa deixe o país enfraquece o compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras. Washington também destacou o impacto na proteção das instituições democráticas.
O governo americano vinha realizando pressões formais junto ao Ministério da Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que Tcherkasov fosse extraditado para os Estados Unidos. No país norte-americano, ele enfrenta indiciamentos por espionagem, fraude e lavagem de dinheiro contra alvos estratégicos.
Histórico e investigações
De acordo com as investigações da PF e do FBI, Tcherkasov vive no Brasil desde 2010 sob a identidade de Victor Muller Ferreira, tendo obtido documentos como passaporte e título de eleitor. O caso ganhou repercussão em abril de 2022, quando ele foi detido pela inteligência da Holanda ao tentar assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.
As autoridades descrevem o investigado como parte de um grupo de agentes treinados para viver sob disfarces de longa duração. Embora os relatórios indiquem que seus alvos estratégicos fossem os EUA e países europeus, não há evidências de espionagem contra o Brasil.
Após a prisão em solo brasileiro, a Rússia solicitou oficialmente a extradição do russo, alegando que ele era investigado por tráfico de drogas. O pedido de extradição chegou a ser autorizado pelo STF, mas a execução dependia de aval do Poder Executivo e do encerramento dos processos no país. A defesa de Tcherkasov nega as acusações de espionagem.
