Escola de futebol da Noruega é responsável por formar Haaland, Odegaard e outros destaques
Projeto Landslagsskolen monitora talentos desde os 12 anos e é base de 90% dos atletas da seleção norueguesa.
Por Diário Local
A Landslagsskolen (Escola Nacional) é o projeto de formação de atletas responsável pelo surgimento e pela consolidação da atual geração da seleção da Noruega. Segundo a federação norueguesa, cerca de 90% dos jogadores com menos de 28 anos da equipe passaram pelo programa de desenvolvimento do país.
O modelo de trabalho foi estruturado de forma intensa a partir de 2015, consolidando um sistema que visa identificar talentos entre 12 e 16 anos. O objetivo é criar um caminho direto para que meninos e meninas integrem as seleções nacionais de base.
Entre os principais nomes que passaram pelo sistema da escola estão o atacante Erling Haaland, o meia Martin Odegaard, o jogador Antonio Nusa e Oscar Bobb. Todos eles são peças fundamentais no desempenho recente da seleção em competições internacionais.
Como funcionam os processos de monitoramento?
O acompanhamento dos atletas começa em idade precoce. Erling Haaland, por exemplo, frequentou o programa entre 2012 e 2015, quando tinha entre 12 e 15 anos. Foi por meio desse monitoramento que ele foi integrado à seleção nacional aos 15 anos de idade.
Já o atacante Antonio Nusa passou pelo sistema entre 2017 e 2020. Nesse período, o modelo de captação de dados da escola já operava de forma totalmente digitalizada e unificada, permitindo um acompanhamento técnico minucioso de habilidades como o drible vertical.
Atualmente, a estrutura do projeto conta com 700 funcionários distribuídos pelo país. Cada distrito da Noruega possui uma unidade dedicada às operações, que trabalha em conjunto com treinadores de base de clubes da primeira divisão local.
Por que a metodologia de treino mudou?
A abordagem técnica do país passou por uma revolução entre 2010 e 2020. Enquanto o sucesso da Noruega nos anos 90 era baseado em defesa e disciplina, o foco atual é o desenvolvimento de jogadores ofensivos e o aspecto cognitivo do esporte.
Hakon Grottland, chefe de desenvolvimento de jogadores da escola, explica que o foco mudou para a inteligência e resolução de situações. Para ele, o projeto busca formar indivíduos que entendam o valor de contribuir para o coletivo, priorizando o grupo acima de talentos individuais.
Para viabilizar a prática esportiva em todo o território, o país investiu massivamente em campos de gramado sintético e arenas cobertas. Essa infraestrutura garantiu que as crianças pudessem jogar mesmo durante os invernos rigorosos da região.
Qual o impacto na cultura da equipe?
A formação na Landslagsskolen ajuda a moldar uma cultura de equipe sem egos inflados. Segundo assistente técnico da Noruega, Brede Hangeland, os jogadores mantêm a consciência dos valores de onde vieram, mesmo atuando no topo do futebol mundial.
Essa conexão entre os atletas e a cultura nacional reflete-se até no comportamento da torcida. Durante a Copa do Mundo, os torcedores noruegueses adotaram coreografias que simulam o ato de remar, uma alusão aos seus ancestrais vikings.
O senso de pertencimento é reforçado desde a base, conectando os atletas ao país. A gestão do projeto busca não apenas habilidade técnica, mas também o desenvolvimento humano e a capacidade de colaboração entre os companheiros de equipe.
