Diário Local
Mundo

Ex-presidente do Kosovo é condenado a 25 anos de prisão por crimes de guerra

Tribunal sediado em Haia condenou Hashim Thaçi por assassinatos, tortura e detenção arbitrária cometidos entre 1998 e 1999

Por Redação Diário Local

O ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaçi, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes de guerra cometidos entre 1998 e 1999. A sentença foi anunciada nesta quarta-feira (16) pelas Câmaras Especializadas do Kosovo, tribunal sediado em Haia, nos Países Baixos.

A condenação refere-se a crimes cometidos durante o conflito pela independência do território em relação à Sérvia. Thaçi foi considerado culpado por quatro tipos de crimes: assassinato, tortura, tratamento cruel e detenção arbitrária.

Segundo o tribunal, o ex-líder teve participação em uma estrutura que manteve pessoas detidas ilegalmente e promoveu assassinatos de indivíduos considerados opositores políticos ou colaboradores das forças de segurança da Sérvia. A decisão também responsabilizou o ex-presidente por crimes cometidos por membros do Exército de Libertação do Kosovo (ELK), grupo de origem albanesa que atuou no conflito.

Quais foram os crimes e as penas aplicadas?

A Corte atribuiu ao grupo a responsabilidade pela detenção arbitrária de pelo menos 385 pessoas, pela tortura de 303 e pelo tratamento cruel de 49 indivíduos. O tribunal também considerou comprovado o assassinato de 96 pessoas.

Além de Thaçi, outros três ex-comandantes do ELK foram sentenciados no mesmo processo. Jakup Krasniqi recebeu 25 anos de prisão, Kadri Veseli foi condenado a 18 anos e Rexhep Selimi recebeu pena de 13 anos. As sentenças deverão levar em conta o período em que os réus já se encontram em prisão preventiva.

A promotoria havia solicitado penas de 45 anos de prisão para cada um dos acusados. Os quatro condenados possuem o direito de recorrer das decisões.

Houve absolvição em algum ponto?

O tribunal absolveu Thaçi e os demais réus de seis acusações de crimes contra a humanidade. De acordo com os juízes, a acusação não demonstrou que os crimes faziam parte de um ataque generalizado e sistemático contra a população civil, o que é um requisito para essa condenação.

A corte ressaltou que a sentença não representa um julgamento sobre a legitimidade da luta pela independência do Kosovo, mas sim sobre os métodos utilizados pelos acusados durante o período de guerra.

Hashim Thaçi foi um dos principais líderes políticos do ELK durante o conflito. Após a guerra, ele ocupou os cargos de primeiro-ministro e presidente do Kosovo, renunciando à presidência em 2020, quando se entregou às autoridades em Haia após ser formalmente acusado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.