Fifa acusa Uefa de campanha de desinformação sobre projeto de privatização da Copa do Mundo
Entidade acusa Uefa de agir com má-fé para influenciar a eleição da presidência da Fifa em 2027.
Por Redação Diário Local
A Fifa acusou a Uefa de orquestrar uma "campanha de desinformação" ao tentar acessar documentos sobre um projeto de venda de participações da Copa do Mundo. A afirmação foi feita pela entidade que comanda o futebol mundial em uma carta de 26 páginas enviada a um tribunal da Flórida, nos Estados Unidos.
Segundo a Fifa, o pedido de acesso aos documentos pela entidade europeia tem como objetivo influenciar o processo de eleição para a presidência da instituição, previsto para ocorrer no dia 18 de março de 2027. A Fifa argumenta que a Uefa atua com má-fé e com o intuito de assediar a entidade, em vez de buscar medidas de instrução legítimas.
O caso central gira em torno de um projeto liderado pelo atual presidente da Fifa, Gianni Infantino. A iniciativa pretendia colocar as receitas da Copa do Mundo em uma sociedade aberta a investidores privados, mas o plano foi abandonado após receber diversas críticas.
A disputa judicial escalou no final de agosto, quando a Uefa iniciou os movimentos para apresentar uma queixa por "gestão desleal" contra Infantino. Para fundamentar a ação, a entidade europeia recorreu à Justiça da Flórida para obrigar as subsidiárias americanas da Fifa a entregarem os registros do projeto mencionado.
A Fifa, em sua defesa, solicitou que o tribunal rejeite o pedido da Uefa. A organização sustenta que não existe necessidade real de obter as informações e que a movimentação europeia é uma tentativa de interferência política no cenário da federação mundial.
O embate entre as entidades faz parte de uma crise maior de governança que atinge a Fifa. Outras confederações, como a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e a AFC (Ásia), também têm manifestado descontentamento e pedido reformas na estrutura de comando da instituição.
Atualmente, Infantino é o único candidato oficial para a reeleição em 2027, mas sua liderança sofre questionamentos recorrentes por parte das federações europeias.
O que diz o presidente da Fifa?
Em resposta ao cenário de tensão, Gianni Infantino enviou uma carta aos presidentes das seis confederações que compõem a entidade. No documento, ele se mostrou aberto a diálogos sobre uma melhor redistribuição dos recursos da Fifa.
Apesar da disposição para conversar, o presidente ressaltou a importância de não prejulgar o valor das discussões ou as decisões financeiras da organização. O movimento ocorre em meio ao crescente pedido de mudanças na forma como a entidade mundial gere suas receitas e sua política interna.
