Primeiro-ministro da França condena violência em protestos de estudantes por ensino
Sébastien Lecornu afirmou que atos de vandalismo prejudicam o cenário escolar enquanto milhares de alunos protestam em todo o país.
Por Redação Diário Local
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, afirmou nesta terça-feira (6) que não pode haver espaço para tolerância à violência nos protestos estudantis que mobilizam milhares de pessoas por todo o país. Em discurso no Parlamento, o premiê condenou atos de vandalismo e declarou que o governo não ordenou qualquer repressão policial contra os manifestantes.
Lecornu argumentou que episódios de violência, como o incêndio de escolas secundárias e agressões a professores, não resolvem os problemas reivindicados. Segundo o primeiro-ministro, tais atos acabam por piorar as condições das instituições de ensino, que são o foco das queixas sobre infraestrutura precária.
As manifestações, que tiveram início em setembro na região de Paris, expandiram-se rapidamente para diversas cidades francesas. O movimento ganhou força com reivindicações sobre jornadas escolares excessivamente longas, falta de professores e condições térmicas inadequadas nas salas de aula.
Nesta terça-feira (6), a França registra o dia de maior mobilização do movimento até agora. Enquanto protestos pacíficos foram registrados nas cidades de Marselha, Nantes e Lyon durante a manhã, a previsão é de que o maior ato ocorra em Paris no período da tarde.
A escalada de tensão incluiu confrontos entre estudantes e agentes de segurança, resultando em barricadas em chamas, veículos incendiados e bloqueios de acessos escolares. O chefe da polícia de Paris afirmou, durante o último fim de semana, que os protestos na capital francesa estavam "fora de controle".
Um caso de violência extrema foi registrado na última segunda-feira (5), na cidade de Lens, ao norte do país. Um estudante de 15 anos teve a mão arrancada após uma granada de efeito moral explodir enquanto ele tentava arremessá-la contra policiais, informou uma fonte ligada ao sindicato da categoria.
O cenário de instabilidade tem gerado consequências diretas no sistema de ensino, com centenas de escolas fechadas e milhares de estudantes detidos pela polícia. Além disso, o movimento tem provocado uma crise política no governo de Emmanuel Macron.
Embora o presidente Macron reconheça oficialmente a legitimidade das reivindicações dos alunos, ele condenou a prática de atos violentos. A crise política se agrava enquanto o governo busca responder às pressões tanto das ruas quanto das instituições parlamentares.
