Presidente de Israel indica Gadi Eisenkot para formar novo governo
Presidente Isaac Herzog indicou o ex-chefe das Forças Armadas para tentar construir uma coalizão após eleições sem maioria clara.
Por Redação Diário Local
O presidente de Israel, Isaac Herzog, indicou o ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot para tentar formar um novo governo no país. A indicação ocorre após as eleições legislativas, realizadas no sábado (27), que terminaram sem que nenhum dos blocos políticos conquistasse a maioria necessária no Parlamento (Knesset).
Eisenkot deve receber formalmente a tarefa de formar uma coalizão neste domingo (8). O porta-voz do presidente Herzog informou que o candidato foi convidado para a residência presidencial para dar início ao processo de negociações pela governabilidade.
O pleito foi o primeiro desde os ataques do grupo Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023. No resultado das urnas, o partido Likud, de Binyamin Netanyahu, conquistou a maior bancada individual, com 27 assentos. No entanto, o bloco de Netanyahu somou 53 cadeiras, número insuficiente para alcançar a maioria parlamentar de 61 assentos.
Na oposição, as legendas lideradas por Eisenkot, Naftali Bennett, Yair Lapid e Yair Golan somaram 48 cadeiras. O cenário exige que o indicado pelo presidente busque novas alianças para tentar superar o bloco governista atual, que é composto por partidos religiosos e de extrema direita.
Uma das alternativas discutidas é a formação de um acordo com partidos que representam a minoria árabe, que juntos somaram 19 cadeiras. Contudo, essa possibilidade enfrenta resistência de lideranças como Avigdor Lieberman, que descarta governar junto ao Ra’am e à Lista Conjunta.
Outra via possível seria a formação de um governo sem maioria parlamentar formal. Nesse modelo, a oposição poderia firmar acordos com as legendas árabes para garantir apoio a propostas do Executivo, sem que esses partidos integrem oficialmente a coalizão governista.
Com a indicação, Eisenkot tem o prazo de 28 dias para concluir as negociações, com possibilidade de prorrogação por mais 14 dias. Caso não consiga formar uma coalizão majoritária ou garantir apoio externo para governar, o presidente poderá indicar outro nome para a missão.
Perfil de Eisenkot e contexto de segurança
Eisenkot, de 66 anos, ingressou na política em 2022 e integrou brevemente o gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques de 2023. Durante a campanha, o ex-militar criticou a condução da gestão atual na Faixa de Gaza e a atuação de parceiros de extrema direita da coalizão atual, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich.
O ex-chefe militar também utilizou sua experiência em segurança para basear suas propostas, citando sua doutrina de resposta a ataques. Durante o período eleitoral, ele defendeu a necessidade de estabilidade e criticou o aumento da violência contra palestinos, tema que tem gerado tensões entre Israel e países ocidentais.
