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Partidos árabes de Israel propõem apoio a oposição para tirar Netanyahu do poder

Bloco árabe de 19 cadeiras pode ser decisivo para a oposição derrotar o primeiro-ministro no Parlamento.

Por Redação Diário Local

Partidos árabes de Israel sinalizaram disposição para apoiar uma articulação com legendas lideradas por judeus para tentar retirar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder. A proposta foi apresentada pelo parlamentar Ahmad Tibi, integrante da Lista Conjunta Árabe, que afirmou que o bloco está disposto a romper com décadas de precedentes políticos para viabilizar um governo de oposição.

A estratégia de apoio prevê que a Lista Conjunta forneça sustentação a uma administração contrária a Netanyahu por meio de votações no Parlamento (Knesset), mas sem ocupar ministérios ou integrar formalmente a coalizão de governo. O formato permitiria que as legendas árabes influenciem a formação de uma nova maioria sem assumir responsabilidade direta pelas decisões do gabinete.

A movimentação política ganhou força após as eleições legislativas de Israel, realizadas no domingo (27). Na ocasião, a coalizão liderada por Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto os partidos de oposição, liderados por Gadi Eisenkot, obtiveram 48 assentos.

O peso das legendas árabes pode ser o diferencial para que a oposição alcance uma maioria parlamentar. A Lista Conjunta obteve 11 cadeiras e o partido Ra’am conquistou outros oito assentos. Somados, os dois blocos árabes detêm 19 cadeiras, mas a articulação ainda depende de que os partidos liderados por judeus aceitem negociar com as siglas árabes.

Quais são os desafios da aliança?

Para Ahmad Tibi, a cooperação busca contornar a resistência de setores da oposição israelense à participação de partidos árabes em um governo. O parlamentar defendeu que a medida abriria espaço para medidas voltadas à população árabe no país, embora tenha reconhecido limitações importantes.

Tibi ressaltou que uma eventual aliança não significaria o fim das guerras ou a interrupção da expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada. Além disso, a Lista Conjunta enfrenta o desafio de justificar aos eleitores o apoio a uma administração que pode não atender plenamente às suas posições sobre o conflito com os palestinos.

Do lado da oposição judaica, o cenário também é de resistência. Os partidos contrários a Netanyahu precisam lidar com setores de seu eleitorado que questionam a aproximação com legendas árabes, especialmente devido a declarações de integrantes da Lista Conjunta sobre Israel e o conflito regional.

Histórico de participação árabe no governo

A participação de partidos árabes em coalizões de governo em Israel é historicamente limitada. Até o momento, apenas uma legenda árabe integrou formalmente uma administração: o partido Ra’am, que fez parte do governo liderado por Naftali Bennett e Yair Lapid, em 2021.

O Ra’am é considerado um partido mais conciliador em relação à participação institucional e afirmou estar disposto a integrar novamente um governo que seja contrário a Netanyahu. No entanto, para que essa maioria se consolide, o apoio da Lista Conjunta continua sendo peça fundamental no tabuleiro político israelense.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.