Reabertura do Estreito de Ormuz derruba petróleo e acende esperança de alívio nos combustíveis
Com a perspectiva de paz entre EUA e Irã e a reabertura da principal rota de petróleo do mundo, os preços recuaram após meses de alta provocada pela guerra.
Por Diário Local
Os preços internacionais do petróleo recuaram em meados de junho de 2026 diante da perspectiva de paz entre Estados Unidos e Irã e da promessa de reabertura do Estreito de Ormuz, a passagem marítima por onde escoa cerca de 20% do petróleo do mundo. O movimento veio depois de meses de alta provocados pelo conflito no Oriente Médio.
O que pressionou os preços para baixo?
O acordo assinado por Trump prevê que o Irã reabra gradualmente Ormuz em troca da suspensão do bloqueio americano aos portos iranianos. A simples expectativa de que o petróleo voltará a circular pela região acalmou os mercados, que vinham operando sob medo de escassez.
Os preços já voltaram ao normal?
Não. A volatilidade continua. Enquanto a guerra impôs ao petróleo Brent uma média próxima de US$ 105 o barril em junho, os contratos futuros chegaram a recuar para a casa dos US$ 80 em alguns pregões. Quando os combates voltaram a se intensificar no Líbano e o tráfego de navios em Ormuz seguiu lento, os preços voltaram a subir.
Por que o tráfego ainda é lento?
Mesmo com o acordo, a confiança das companhias de navegação se recupera aos poucos. Durante o auge da crise, navios passaram a evitar Ormuz e o Mar Vermelho, alongando rotas e encarecendo o frete. Restabelecer o fluxo normal leva tempo.
Qual foi o tamanho do choque?
Segundo organismos internacionais, a produção global de petróleo deveria cair quase 7 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026 — o maior recuo trimestral desde a pandemia de covid-19. O episódio reacendeu temores de inflação e até de estagflação, combinação de economia parada com preços em alta.
Como isso chega ao Brasil?
O Brasil é exportador de petróleo, mas os preços domésticos dos combustíveis acompanham, com defasagem, o mercado internacional. Petróleo mais barato lá fora abre espaço para alívio nos postos brasileiros; petróleo mais caro faz o contrário.
O risco já passou?
Ainda não. Analistas alertam que qualquer nova escalada militar pode interromper de novo o fluxo por Ormuz e disparar os preços. O mercado segue "de olho" no cumprimento do cessar-fogo.
O que observar daqui para frente?
Os próximos sinais relevantes são a normalização efetiva do tráfego de navios em Ormuz, a manutenção da trégua entre Israel e o Hezbollah e a evolução das negociações nucleares com o Irã.
