França deve registrar uma das piores safras de vinho em 30 anos devido ao calor extremo
Estimativa do Ministério da Agricultura aponta queda de 6% na produção de 2026, com perdas críticas na região de Champagne.
Por Redação Diário Local
A produção de vinho na França deve registrar uma de suas piores safras em 30 anos, afetada por um verão marcado por calor extremo, seca e ondas de calor. O Ministério da Agricultura francês informou, nesta segunda-feira (7), que a estimativa de produção para 2026 é de 33,9 milhões de hectolitros, o que representa uma queda de 6% em relação ao ano passado.
Este volume equivale a cerca de 4,5 bilhões de garrafas e marca o terceiro ano consecutivo de redução na produção do país. O índice está 17% abaixo da média registrada entre 2021 e 2025. A França ocupa a posição de segundo maior produtor mundial de vinhos e é a maior exportadora em termos de valor comercial.
O que acontece com as principais regiões produtoras?
A região de Champagne, localizada no nordeste do país, é a que apresenta o cenário mais crítico. A produção na localidade deve ficar 49% abaixo do nível registrado em 2025 e 47% inferior à média dos últimos cinco anos.
Outras áreas também devem apresentar retração. Em Bourgogne-Beaujolais, a produção deve ser um terço menor do que no último ano, enquanto Val de Loire e Charentes devem registrar quedas de 12% e 6%, respectivamente. Em contrapartida, a região de Languedoc-Roussillon, maior produtora do país, espera um crescimento de 5%.
Em Bordeaux, a previsão é de uma melhora de 10% em relação a 2025, resultado de chuvas que ocorreram no fim de agosto e ajudaram a amenizar os efeitos da seca. Contudo, os volumes nessas duas regiões permanecem abaixo da média histórica.
Como a crise climática afetou o setor agrícola?
Devido às condições de calor intenso, os produtores de uva precisaram antecipar a colheita neste ano. A seca e as ondas de calor danificaram os vinhedos e reduziram a produtividade, apesar de uma primavera que inicialmente trazia perspectivas melhores.
Somado ao clima, o setor enfrenta outros desafios, como as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e mudanças nos hábitos de consumo. Além disso, a área cultivada de vinho é 2,5% menor em 2026 do que em 2025, pois produtores reduziram vinhedos devido ao excesso de oferta frente ao consumo.
O impacto climático também atingiu outras culturas. A agricultura francesa registrou perdas em hortaliças como alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró. Diante do cenário, o governo francês anunciou, na última sexta-feira (4), um pacote de ajuda emergencial para agricultores superior a 1 bilhão de euros.
