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Degelo no Ártico abre nova rota comercial entre Ásia e Europa

O derretimento do gelo no Ártico oferece trajetos mais curtos para navios de carga entre a Ásia e a Europa, reduzindo o tempo de viagem.

Por Redação Diário Local

O derretimento do gelo no Ártico está criando uma nova alternativa para o comércio marítimo entre a Ásia e a Europa. A Rota Marítima do Norte, que percorre a costa russa, permite trajetos que podem durar entre 20 e 22 dias, enquanto a rota tradicional pelo Canal de Suez leva cerca de 40 dias para o mesmo percurso.

A redução no tempo de viagem pode diminuir o período em que as mercadorias ficam em trânsito e o capital necessário para a manutenção de estoques. No entanto, o custo operacional ainda é um obstáculo, com fretes praticados pela empresa chinesa Sea Legend na temporada de 2026 sendo aproximadamente o dobro dos valores registrados em 2025.

Como funciona a nova rota?

A passagem pelo Ártico ganhou movimentação em agosto com navios de carga da China e da Coreia do Sul rumo ao Reino Unido. A Sea Legend programou oito saídas entre 15 de agosto (15) e 3 de outubro (03) deste ano, utilizando sete navios.

As primeiras viagens transportaram produtos industriais e equipamentos para a transição energética, com cargas de empresas como Geely, Sungrow e CATL. A fabricante de baterias EVE Energy também utilizou o trajeto para enviar produtos para a Alemanha e a Hungria.

A Coreia do Sul também realiza testes na região. O navio PanStar Acro partiu de Busan em agosto com destino ao Reino Unido, transportando produtos químicos, carros usados e peças automotivas. O governo sul-coreano avalia o consumo de combustível, a distância e os custos da operação.

Quais são os desafios do trajeto?

Apesar do avanço, a rota ainda não atinge a escala das passagens globais tradicionais. Em 2025, foram registrados 103 trânsitos pela Rota Marítima do Norte, enquanto o Canal de Suez registrou mais de 24 mil navios em 2024.

A navegação é condicionada à presença de gelo e à autorização russa. A janela comercial é estimada em apenas três ou quatro meses por ano, ocorrendo principalmente entre os meses de agosto e outubro. Além disso, a região possui menos portos e infraestrutura de apoio do que as rotas habituais.

A expansão do petróleo na região

Paralelamente ao transporte de contêineres, a Rússia amplia sua infraestrutura para exportar petróleo. A Rosneft iniciou, neste domingo (6) (06), o projeto Vostok Oil, com o primeiro carregamento de petróleo realizado no porto de Bukhta Sever, no Mar de Kara, pelo navio-tanque Valentin Pikul.

O petróleo é transportado por um oleoduto de 790 quilômetros que conecta os campos de Vankor e Payakha ao porto. A infraestrutura tem capacidade para transportar até 100 milhões de toneladas por ano. A Rosneft projeta produzir 30 milhões de toneladas de petróleo no segundo semestre de 2027 e atingir 50 milhões de toneladas em 2030.

O projeto visa utilizar a Rota Marítima do Norte para ampliar as exportações russas para a Ásia-Pacífico. Para viabilizar o avanço, o governo russo pretende adicionar quatro quebra-gelos nucleares até 2030, conforme informações da Rosneft.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.