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Economia

Brasil está entre os cinco maiores mercados da Maersk e deve embarcar 1,15 milhão de contêineres em 2026

Com investimentos anuais de R$ 1 bilhão, companhia projeta crescimento e destaca necessidade de escala na logística nacional

Por Redação Diário Local

O Brasil consolidou sua posição como um dos cinco maiores mercados da Maersk no mundo e deve embarcar 1,15 milhão de contêineres no país durante o ano de 2026. A projeção foi divulgada por Ricardo Rocha, presidente da Maersk para a Costa Leste da América do Sul, que também comanda as operações na Argentina, Uruguai e Paraguai.

O país é o principal motor da divisão que engloba a região, sendo responsável pela maior parte dos 3,3 mil funcionários do bloco. Essa divisão representa entre 50% e 55% dos resultados totais da companhia na América Latina.

Investimentos e infraestrutura

Para manter sua presença e expandir a atuação, a Maersk investe anualmente mais de R$ 1 bilhão no Brasil. Os recursos são destinados à manutenção e ampliação de depósitos, armazéns próprios e terminais. Atualmente, o grupo possui ou opera participação em quatro terminais no território nacional.

Um dos destaques é o terminal em Suape, que é 100% próprio e deve iniciar as atividades em breve. O investimento para esse projeto soma R$ 2 bilhões. Além disso, a empresa conta com dez centros logísticos voltados ao apoio de clientes e ao recebimento de contêineres vazios.

A estratégia da companhia baseia-se no modelo vertical, no qual a empresa controla toda a cadeia: do despacho e caminhões até a armazenagem (seca ou refrigerada) e a distribuição. Segundo a empresa, esse controle reduz a dependência de terceiros e permite maior adaptação a imprevistos.

Desafios do comércio e clima

A operação logística brasileira tem enfrentado ajustes devido a fatores externos, como as cotas chinesas à carne brasileira e as restrições impostas pela União Europeia. Apesar dessas pressões, a empresa observa crescimento nas vendas de carne bovina para mercados como Chile e Estados Unidos.

O cenário geopolítico também exigiu mudanças nas rotas. Com as dificuldades no Canal de Suez e os conflitos no Oriente Médio, a companhia precisou calibrar o fluxo de contêineres, utilizando rotas terrestres com caminhões em alguns trechos para garantir o abastecimento.

No campo ambiental, o fenômeno El Niño representa um risco para a logística. A empresa monitora o nível dos rios na Região Norte, que apresenta redução de profundidade nesta segunda metade do ano, o que pode gerar secas críticas e impactar o transporte.

Necessidade de escala logística

Sobre o planejamento do governo brasileiro de realizar concessões para reduzir a dependência do transporte rodoviário, a Maersk reforça a necessidade de melhorias estruturais. Ricardo Rocha afirma que o Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística nacional.

Como exemplo de gargalo, o executivo citou o Porto de Santos, o maior da América Latina, que possui apenas um terminal com conexão direta para a malha ferroviária. Segundo a empresa, a falta de margem para manobras em portos, que operam próximos ao limite de sua capacidade, compromete a eficiência do setor.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.