Rússia bombardeia Kiev com mísseis e drones; ataque deixa 8 mortos e dezenas de feridos
Bombardeio atingiu todos os 10 distritos da capital ucraniana durante a madrugada de quinta-feira, destruindo edifícios residenciais e causando incêndios em várias áreas.
Por Diário Local
A Rússia lançou um ataque em grande escala contra Kiev com mísseis balísticos, de cruzeiro e drones durante a madrugada de quinta-feira (2). O bombardeio, descrito pelas autoridades locais como um "furioso ataque inimigo", sacudiu a capital da Ucrânia por horas e deixou um rastro de destruição que afetou todos os 10 distritos da cidade, em ambos os lados do rio Dnipro.
O ataque deixou 8 mortos e pelo menos 34 feridos, de acordo com autoridades locais. Entre as vítimas estão paramédicos e motoristas de uma estação de ambulâncias. Cerca de três dezenas de locais foram danificados pela ofensiva.
Muitos moradores carregando crianças, pertences, barracas e animais de estimação buscaram abrigo em estações de metrô subterrâneas após os primeiros alarmes. "Outra noite terrível para os moradores da cidade, que foram forçados a passá-la em abrigos", publicou Olha Stefanishyna, embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos, na rede social X.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, havia emitido alertas prévios sobre a possibilidade do bombardeio. Ele encurtou sua visita a Dublin, na Irlanda, onde acompanharia o início do mandato de seis meses do país na presidência rotativa da União Europeia.
Destruição em vários distritos
Relatos oficiais apontam para graves danos estruturais em áreas residenciais. No distrito de Desnianskyi, um edifício residencial de nove andares foi parcialmente destruído, com o desabamento dos andares 1 a 6 após impacto direto, deixando moradores presos nos escombros.
Incêndios foram registrados nos distritos de Sviatoshynskyi e Darnytskyi, onde equipes de resgate atuam para retirar pessoas dos destroços. No distrito de Holosiivskyi, as chamas atingiram o telhado de um prédio de vários andares.
No Boulevard Shevchenko, no centro, o fogo consumiu o topo de um edifício. Chamas também atingiram áreas próximas a residências no distrito de Pecherskyi e um prédio administrativo em Solomianskyi. Danos foram confirmados ainda nos distritos de Obolonskyi e Podilskyi.
No distrito de Shevchenkivskyi, cinco pessoas ficaram feridas, incluindo um paramédico em estado extremamente crítico. As operações de resgate continuam em andamento nas áreas mais afetadas.
Resposta das nações vizinhas
Devido à gravidade da ofensiva, a Polônia, membro da Otan e da União Europeia, enviou caças a jato temporariamente como medida preventiva. As aeronaves retornaram após constatar que não houve violação do espaço aéreo polonês.
A Finlândia, que também integra a Otan e o bloco europeu, impôs uma restrição temporária de aviação na região oriental do Golfo da Finlândia, posteriormente levantada.
Campanhas de drones e crise de combustível
A intensificação do ataque russo ocorre paralelamente ao avanço de uma campanha de drones de longo alcance promovida pela Ucrânia em território russo, com alvos em instalações militares e de energia. As ações ucranianas atingiram províncias profundas do território vizinho.
Os ataques ucranianos desencadearam uma crise generalizada de combustível na Rússia, o terceiro maior produtor de petróleo do mundo. O país foi forçado a importar gasolina de locais distantes, como a Índia.
Na região de Leningrado, que abriga grandes instalações de refino e exportação de óleo, autoridades afirmaram que as forças russas derrubaram sete drones ucranianos. Na região de Belgorod, que faz fronteira com a Ucrânia, um ataque de drone atingiu uma residência, matando um homem e deixando sua esposa ferida.
Tanto a Rússia quanto a Ucrânia afirmam que não têm civis como alvos deliberados em suas operações. Recentemente, Zelenskyy propôs a abertura de negociações com o presidente russo, Vladimir Putin, para encerrar a guerra que já dura mais de quatro anos, mas a proposta foi rejeitada pelo líder do Kremlin.
