Trump afirma ter controle total sobre o Estreito de Ormuz em meio a impasse com o Irã
Presidente dos EUA nega domínio do Irã sobre via estratégica, mas especialistas apontam impasse e riscos ao comércio global.
Por Redação Diário Local
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país detém o controle total sobre o Estreito de Ormuz. Em declarações feitas a repórteres nesta quarta-feira (12), o líder americano rebateu a influência do Irã sobre a via navegável e declarou estar em uma "posição muito boa".
Trump reforçou que a Marinha dos EUA realizou buscas por minas no estreito e insistiu que o governo americano é o responsável pela segurança da região. No entanto, a afirmação de domínio absoluto é questionada por especialistas que descrevem a situação atual como um impasse estratégico.
Por que o tráfego no estreito diminuiu?
Apesar das declarações de controle, a atividade marítima na região sofreu uma queda drástica. Na terça-feira (11), apenas 14 embarcações atravessaram o estreito, enquanto o fluxo habitual antes do conflito era de aproximadamente 120 navios por dia.
Essa redução ocorre devido ao receio das empresas de transporte marítimo quanto à segurança das cargas. Segundo o ex-diretor do Centro de Inteligência Conjunta do Comando do Pacífico dos EUA, Carl Schuster, muitas companhias não confiam que os EUA consigam garantir uma passagem segura no momento.
A insegurança é corroborada por ataques recentes. A Abu Dhabi National Oil Company relatou que, na semana passada, ao menos quatro de suas embarcações foram atingidas por mísseis e drones no estreito. O risco elevado impacta diretamente os custos de seguro e desencoraja o uso da rota.
Riscos e monitoramento de segurança
O monitoramento internacional aponta um cenário de instabilidade contínua. A Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) registrou 54 relatos de danos a embarcações no estreito, no Golfo Pérsico ou no Golfo de Omã desde o início das hostilidades.
Entre os incidentes confirmados pela UKMTO estão três perdas totais de embarcações e 13 ocorrências de quase colisão. O órgão também alertou para o assédio de drones sobre voo sobre navios comerciais para realizar vigilância direcionada.
O bloqueio naval imposto pelos EUA ao Irã impede a movimentação de navios de portos iranianos, o que afetou o fluxo de caixa do país vizinho. Contudo, o tráfego de navios que não são iranianos ainda ocorre em uma fração muito menor do que o registrado antes da guerra.
O impasse estratégico entre EUA e Irã
Especialistas e militares indicam que nenhum dos lados exerce controle total. O coronel reformado da Força Aérea dos EUA, Cedric Leighton, argumenta que a proximidade das forças iranianas e a capacidade de utilizar minas e pequenas embarcações para assédio criam um estado de impasse.
O Irã possui a vantagem da localização geográfica, situado às margens da via, o que lhe confere peso político e estratégico ao interromper o tráfego. Por outro lado, os Estados Unidos mantêm vantagem militar e econômica por meio de sanções e do congelamento de ativos iranianos no exterior.
A situação coloca pressão sobre o governo americano, especialmente diante dos impactos no setor de energia e nos estoques globais de petróleo. A capacidade de manter o bloqueio e a presença militar na região será determinante para o poder de negociação em futuros tratativos sobre o Estreito de Ormuz.
