Blocos de Belo Horizonte ameaçam boicotar desfiles de Carnaval em 2027 por conta da data
Agremiações questionam transparência de votação na Belotur e alegam que desfiles na Quaresma ferem tradições religiosas
Por Redação Diário Local
Agremiações de Belo Horizonte ameaçam não participar dos desfiles de Carnaval de 2027 caso a programação seja mantida no período da Quaresma. O movimento ocorre após uma votação na Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) definir que os eventos de passarela ocorrerão entre 12 e 14 de fevereiro de 2027, de sexta-feira a domingo.
A mudança foi aprovada por 13 votos a 9 em reunião realizada no dia 17 de agosto (17). A nova data coloca os desfiles três dias após a terça-feira de Carnaval, iniciando-se já dentro do período de Quaresma.
Por que os blocos são contra a mudança?
Os grupos contrários à alteração defendem que o novo calendário desrespeita a tradição religiosa de grande parte dos componentes. Segundo representantes, a maioria dos integrantes pertence às religiões católica e umbandista, que guardam o período sagrado.
Além do fator religioso, há o temor de que a alteração para a Quaresma reduza a presença de público nas avenidas. Isso poderia gerar impactos financeiros negativos para comerciantes e vendedores ambulantes que dependem do movimento carnavalesco, afirma o presidente do bloco Leão da Lagoinha, Jairo Nascimento Moreira.
O Leão da Lagoinha, fundado em 1947 e considerado o primeiro bloco de Belo Horizonte, já manifestou que não entrará na avenida em 2027 caso o cronograma não seja revisto.
Questionamentos sobre a transparência
As agremiações também apontam falta de transparência no processo de decisão. Grupos alegam que nem todos os atores do desfile foram convidados para a reunião na Belotur e que houve indícios de articulação prévia para garantir a aprovação da mudança.
A Liga Independente das Escolas de Samba de Minas Gerais (LIES-MG), que representa agremiações como Bem-Te-Vi e Estrela do Vale, também se posicionou contra a proposta. A entidade afirmou ter solicitado dados técnicos que comprovassem os benefícios do novo calendário, mas não obteve resposta.
Outro ponto de conflito envolve o cumprimento de acordos anteriores. Representantes de blocos caricatos afirmam que a mudança para a Avenida dos Andradas, ocorrida em 2025, foi aceita sob a promessa de que haveria um terceiro dia de desfiles e melhor estrutura, o que não teria sido cumprido pela Belotur.
Representação no Ministério Público
A disputa ganhou contornos jurídicos com o protocolo de uma representação no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nesta quinta-feira (20) (20). O documento foi enviado em nome da Associação Brasil Legal e questiona a forma como as votações foram realizadas.
A petição enviada ao órgão defende que a decisão pode enfraquecer a tradição dos desfiles e reduzir o público. O documento também solicita que sejam avaliadas propostas para o reconhecimento dos desfiles como patrimônio cultural imaterial de Belo Horizonte e a garantia de recursos para a festa.
