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Tradição

Tradição de 80 anos: família de Itapecerica mantém produção de cachaça artesanal em quatro gerações

Iniciada por Antônio Lopes de Lima em 1953, produção de cachaça em Minas Gerais atravessa quatro gerações e já chegou à Suíça.

Por Redação Diário Local

A produção de cachaça em Itapecerica, no Sul de Minas Gerais, completa oito décadas de história por meio de uma tradição familiar que já alcançou a quarta geração. O empreendimento, que utiliza a marca Cachaça Caipira, nasceu da transição entre a fabricação de rapadura e a de bebida alcoólica, liderada por Antônio Lopes de Lima.

Antônio Lopes de Lima, conhecido popularmente como "Mudo", iniciou sua trajetória na produção de rapadura em 1946, com a influência de seu pai, Joaquim Lopes de Lima. Contudo, ao notar que a chegada do açúcar ao comércio reduzia a demanda pelo produto artesanal, o produtor decidiu mudar de atividade em 1953, quando tinha 16 anos, passando a fabricar cachaça.

Nos primórdios, a operação era estritamente manual e dependia de recursos naturais. De acordo com Ercília Maria de Lima, esposa de Antônio, o engenho não possuía energia elétrica e funcionava por meio de uma roda d'água, o que limitava a capacidade produtiva a cerca de 40 litros diários. O transporte para comunidades como Lagoa, Lameus e Sabarazinho era feito em carros de boi pelas estradas de terra.

Como a produção evoluiu no alambique

A modernização do alambique ocorreu em etapas que permitiram o aumento da escala. Em 1963, a chegada da energia elétrica à localidade abriu novas possibilidades de trabalho. Dois anos depois, em 1965, a família investiu em um motor a diesel para o engenho, elevando a produção diária de 40 para cerca de 160 litros de cachaça.

O negócio consolidou-se como um patrimônio familiar com a participação dos cinco filhos de Antônio e Ercília: Guilherme, Guido, Paulo, Maria Rita e Inêzilia. A técnica de produção e a receita original foram transmitidas entre as gerações, permitindo que o conhecimento sobre o manejo da cana e a fabricação da bebida permanecesse na família.

Para atender às exigências do mercado contemporâneo, a marca passou por processos de adequação tecnológica e regulatória. A Cachaça Caipira possui registro e certificação junto ao Ministério da Agricultura e, em 2007, realizou novas adaptações para cumprir normas sanitárias e ambientais, conciliando métodos artesanais com equipamentos modernos.

Da tradição local à exportação

O alcance do produto ultrapassou os limites de Itapecerica e atingiu diversos estados brasileiros. Segundo os netos de Antônio, Gabriel Lima e Vinícius Gabriel, a bebida chegou a ser exportada para a Suíça em um período específico da trajetória da marca. Embora a comercialização atual seja focada no mercado nacional, a exportação é lembrada como um marco do crescimento do negócio.

Atualmente, a quarta geração da família assume a continuidade do legado. Mesmo aos 87 anos, Antônio Lopes de Lima acompanha o processo de fabricação, mantendo viva a história que começou com uma roda d'água e carros de boi e que hoje atende a consumidores em larga escala.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.