Juiz de Fora tem déficit de arborização e risco de ilhas de calor, aponta pesquisa
Levantamento aponta que 94% das áreas urbanas da cidade possuem índice de área verde abaixo do recomendado pela OMS.
Por Redação Diário Local
Juiz de Fora apresenta um déficit crítico de arborização urbana, o que contribui para a formação de ilhas de calor e coloca a cidade abaixo dos índices recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pesquisas científicas apontam que a falta de cobertura vegetal impacta diretamente a temperatura local e o bem-estar dos moradores.
De acordo com o Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental (LabCAA/UFJF), uma diferença de até 9°C foi detectada entre o centro da cidade e o campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que estão separados por apenas 5 km. O fenômeno, conhecido como ilha de calor, é agravado pela predominância de áreas urbanizadas com pouca vegetação.
Um levantamento do Laboratório de Estudos da Paisagem da UFJF detalha que 94% das áreas urbanizadas de Juiz de Fora possuem um Índice de Área Verde (IAV) inferior ao recomendado pela OMS, que estabelece o patamar de 12 m² por habitante. Além disso, o estudo indica que em 80% do município a proporção de praças, parques e jardins de uso público não chega a um metro quadrado por habitante.
A carência de vegetação compromete diversos aspectos do cotidiano urbano. Além de auxiliar na diminuição da temperatura, as árvores promovem o bem-estar psicológico, oferecem sombra, melhoram a qualidade do ar, amortecem sons, reduzem o impacto do escoamento de águas da chuva e auxiliam na preservação da fauna local.
O que diz a legislação municipal?
Juiz de Fora possui a Política Municipal de Arborização Urbana, instituída pela Lei Municipal nº 13.206/2015. No entanto, passados 11 anos da criação da norma, o Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU) ainda não foi elaborado, descumprindo o que determina o artigo 26 da referida lei.
A ausência desse instrumento estratégico evidencia um distanciamento entre a legislação aprovada e sua execução prática pelas administrações municipais. A falta de um plano oficial dificulta a utilização da arborização como ferramenta de adaptação aos desafios das mudanças climáticas.
Quais são as metas de arborização?
O Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA), que já foi elaborado por especialistas e está em posse da Prefeitura, possui um plano de ação que define a arborização como prioridade para 2025. Contudo, a recomendação prevista para o próximo ano ainda não foi cumprida pelas autoridades locais.
A implementação de estratégias de arborização é apontada como essencial para construir uma cidade mais resiliente e equilibrada ambientalmente. A falta de investimento no setor impacta diretamente a saúde pública e o conforto térmico de toda a população juiz-forana.
