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Colégio Cruzeiro

Mãe de aluna de colégio no Rio relata que filha descobriu lista de categorias sexuais ao pesquisar nome na internet

Uma das vítimas de 14 anos prestou depoimento à polícia; lista incluía 65 nomes de estudantes do 9º ano em Jacarepaguá

Por Diário Local

Uma lista com 65 nomes de alunas do 9º ano, classificadas sob categorias sexuais e depreciativas, está sob investigação da Polícia Civil no Rio de Janeiro. O caso ocorreu no Colégio Cruzeiro, unidade de Jacarepaguá, na Zona Oeste, e envolve estudantes de 14 e 15 anos.

Uma das vítimas de 14 anos descobriu o conteúdo ao realizar uma busca pelo próprio nome completo em um buscador na internet. A mãe da adolescente relatou que a filha ficou "incrédula" e com raiva ao encontrar o site, enquanto outras estudantes apresentaram reações mais graves, como vergonha e recusa em frequentar a escola.

A estudante foi uma das sete alunas que prestaram depoimento na quinta-feira (9) na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). A mãe das vítimas classificou o episódio como uma "violência imensa" e afirmou que a filha precisou retomar o acompanhamento psicológico devido ao ocorrido.

Segundo o relato da responsável, a escala da violação foi ampliada pelo alcance das redes sociais. Ela destacou que, ao contrário de rankings antigos, o uso de plataformas digitais faz com que nomes e sobrenomes circulem de forma muito mais agressiva e destrutiva.

A investigação aponta que os envolvidos, todos menores de idade, podem responder por crimes análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento. A polícia também investiga a possibilidade de novos crimes, caso sejam encontradas provas de ameaças ou agressões psicológicas.

Como funcionava a lista?

O conteúdo foi elaborado em uma plataforma online de classificação chamada "tierlist". Na lista, as adolescentes eram divididas em categorias de cunho sexual, como "GOAT", "Comeria no lucro", "Bêbado vai", "Me arrependi depois" e "Nem olharia".

A delegada Maria Luiza Machado, da Dcav, explicou que o volume de compartilhamentos desse tipo tem crescido nos últimos anos. Segundo a autoridade, as vítimas tornam-se mais vulneráveis devido à combinação de idade e gênero.

Para colher os relatos, a delegacia utiliza o sistema de depoimento especial. O procedimento é realizado por policiais especializados em salas separadas, com o objetivo de evitar que as crianças e adolescentes passem por novos traumas durante a oitiva.

O que diz o colégio?

O diretor da unidade de Jacarepaguá foi ouvido pela polícia na quarta-feira (8). Em nota, o Colégio Cruzeiro informou que registrou boletim de ocorrência e exigiu a remoção do conteúdo junto à plataforma, o que já foi efetuado.

A instituição afirmou que realiza apuração interna para identificar os responsáveis e que oferece campanhas de conscientização sobre responsabilidade digital. O colégio declarou ainda que está prestando apoio integral às famílias e alunas afetadas pelo caso.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.