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Memória

Mulheres de comunidade quilombola criam jogo de tabuleiro para preservar memórias e saberes

Iniciativa de mulheres em Corguinho (MS) transforma relatos sobre partos e remédios caseiros no jogo Trilha Griô

Por Redação Diário Local

Mulheres da comunidade quilombola Furnas da Boa Sorte, em Corguinho (MS), transformaram memórias de seus antepassados no jogo de tabuleiro Trilha Griô. A iniciativa busca preservar saberes sobre partos, o uso de remédios caseiros e a história do trabalho na região.

As oficinas foram conduzidas pela Casa Moringa com o objetivo de resgatar a identidade local e fortalecer os vínculos entre as diferentes gerações da comunidade. Durante os encontros, as participantes compartilharam relatos que ajudaram a construir o conteúdo do jogo, que também aborda temas como racismo, relações de gênero e meio ambiente.

Para a moradora Vanda Catarina da Silva, a oportunidade permitiu ampliar o conhecimento sobre a trajetória de famílias próximas. Ela destacou que muitos relatos sobre os cuidados com a saúde, baseados em ervas e preparos caseiros, eram essenciais em períodos de dificuldade de acesso a médicos.

Como o jogo foi construído?

A formação utilizou a Pedagogia Griô, método que valoriza a oralidade e as experiências vividas no território. As mulheres participaram ativamente do desenho do mapa, da escolha dos temas e da elaboração das perguntas que compõem o tabuleiro.

O jogo reúne elementos como espaços de convivência, árvores nativas e ofícios tradicionais. A produção artesanal das peças e das cartas foi finalizada pela Casa Moringa, devido a questões de logística e tempo dentro da comunidade.

Além de tratar da ancestralidade, o Trilha Griô levanta discussões sobre conflitos territoriais, a invisibilização de povos indígenas e os impactos ambientais, como a seca de rios que eram utilizados para lazer e pesca na infância das participantes.

Impactos na vida comunitária

As atividades de resgate de memória também geraram desdobramentos práticos para a organização de Furnas da Boa Sorte. Um dos resultados foi a realização de um mutirão para concluir o telhado e o piso de um galpão comunitário, que estava com a construção interrompida há mais de cinco anos.

A comunidade também retomou a realização de sua feira de associação, que estava suspensa há cerca de dois ou três anos. A iniciativa é parte de ações de conservação apoiadas pelo WWF-Brasil nas Cabeceiras do Pantanal.

O projeto envolve a coleta de sementes nativas para a restauração de áreas e o fortalecimento de lideranças femininas, integrando a preservação ambiental ao desenvolvimento social da região.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.