Sindicato critica Colégio Santa Doroteia por manter aulas após morte de professora em BH
Sindicato dos Professores de Minas Gerais e alunos contestam decisão de instituição de manter rotina após falecimento de Michelle Amorim
Por Redação Diário Local
O Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG) publicou uma nota de repúdio contra o Colégio Santa Doroteia, em Belo Horizonte, por manter a rotina de aulas na última segunda-feira (20). A data coincide com o falecimento da professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim, que passou mal dentro da instituição de ensino, localizada no bairro Sion, na região Centro-Sul da capital.
De acordo com o sindicato, a escola seguiu com o funcionamento normal apesar do ocorrido. Em nota, o Sinpro-MG criticou o fato de a instituição ter emitido um comunicado de pesar, mas não ter interrompido as atividades em respeito à docente, afirmando que a "engrenagem não pode parar".
O sindicato comparou o episódio a um caso ocorrido em Recife (PE), em agosto de 2020, quando um promotor de vendas faleceu dentro de um supermercado que seguiu aberto ao público. Para a entidade, a lógica aplicada pela escola foi a de preservar a operação, a rotina e o lucro, em vez de priorizar o luto.
Nas redes sociais, estudantes e ex-alunos também registraram críticas à decisão da instituição. Relatos de alunos apontaram que ter aulas normalmente foi um momento difícil para a comunidade escolar, destacando que professores compareceram ao trabalho visivelmente abalados e emocionados pela perda.
Em um relato enviado de forma anônima, um grupo de estudantes afirmou que tentou realizar orações na capela da escola, mas que as estudantes teriam recebido uma advertência após a tentativa. Outros comentários de alunos e ex-funcionários criticaram a postura do sindicato, alegando que o movimento politizou um momento de luto delicado para as famílias.
A diretora do Colégio Santa Doroteia, Zuleica Reis Ávila, rebateu as críticas e afirmou que a continuidade das atividades escolares não deve ser interpretada como indiferença ou desrespeito à professora falecida. Ela defendeu que decisões institucionais tomadas em momentos de dor exigem compreensão de contexto, responsabilidade e equilíbrio.
Zuleica também criticou as comparações feitas pelo sindicato e afirmou que não aceita que a história do colégio seja reduzida a uma narrativa que coloque em dúvida a humanidade e a ética da instituição e de seus colaboradores.
A causa da morte da professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim não foi divulgada até o momento.
