Telas de capela em Minas Gerais são devolvidas após 50 anos de furto
Obras representadas por Joaquim José da Natividade foram localizadas em um antiquário de São Paulo e devolvidas à Paróquia de Santa Rita de Cássia.
Por Davy Albuquerque
As telas originais do forro da Paróquia de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, no Campo das Vertentes (MG), foram devolvidas à igreja nesta quarta-feira (16). As obras haviam sido retiradas da capela na segunda metade da década de 1970 e foram localizadas em um antiquário em São Paulo.
As pinturas, que representam Santo Agostinho e São Jerônimo, foram identificadas durante um evento de arte no Parque do Ibirapuera, na capital paulista, no início de abril. O processo de recuperação e intermediação da devolução foi realizado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
As obras foram desenhadas por Joaquim José da Natividade por volta de 1800. Para confirmar a autenticidade, técnicos do MPMG utilizaram fotografias antigas, medições dos espaços vazios na igreja e compararam os padrões de cores e feições com outras pinturas do mesmo autor em São João del-Rei.
Como ocorreu o resgate das obras?
A localização das peças começou após uma pessoa identificar as telas em um antiquário e suspeitar da origem. O artista Carlos Magno de Araújo, responsável pelas réplicas instaladas na paróquia, recebeu o contato e buscou apoio do município para reunir evidências que comprovassem que as pinturas pertenciam ao forro original da capela tombada.
O setor técnico do MPMG apurou que os bens estavam sendo comercializados no evento “SP - Arte 2026”. A historiadora Paula Novais, da Coordenadoria de Patrimônio Cultural (CPC) do órgão, afirmou que houve semelhança significativa entre as obras à venda e as imagens fotográficas do forro original.
Após a análise, o Ministério Público recomendou a retirada das postagens de venda e catalogou os detentores das peças. Os responsáveis pelo antiquário manifestaram o desejo de doar as obras e assinaram um termo de compromisso vinculado a uma campanha de devolução de bens culturais.
Impacto na comunidade local
Cada tela mede 1,68m de altura por 1,17m de largura, incluindo a moldura. A entrega das peças contou com a participação do pároco Geraldo Sérgio França e de membros da comunidade, que celebraram o retorno do patrimônio após 50 anos.
A retirada de obras da paróquia tem um histórico de recorrência. Segundo relatos de moradores, imagens de santos também foram roubadas em 1998; parte delas foi recuperada, mas outras, como a de São Sebastião, permanecem desaparecidas.
