Diário Local

EUA e Irã assinam em Versalhes acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz

Memorando assinado por Trump no Palácio de Versalhes prevê fim das operações militares, reabertura gradual de Ormuz e alívio de sanções ao Irã.

Por Diário Local

Os presidentes dos Estados Unidos e do Irã assinaram, em 17 de junho de 2026, um memorando de entendimento que declara a intenção de pôr fim, de forma "imediata e permanente", às operações militares da guerra entre os dois países e Israel. O documento foi firmado por Donald Trump no Palácio de Versalhes, na França, durante jantar oferecido pelo presidente francês Emmanuel Macron logo após a cúpula do G7.

O que diz o acordo?

Segundo o texto divulgado pelo governo americano, o memorando estende o cessar-fogo por 60 dias e prevê a reabertura gradual do Estreito de Ormuz pelo Irã, enquanto os Estados Unidos suspendem o bloqueio que impunham aos portos iranianos. É um passo intermediário, não um tratado definitivo.

Por que Ormuz importa para o mundo?

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita por onde escoa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta. Durante a guerra, o Irã restringiu quase totalmente a navegação ali, o que pressionou os preços da energia em escala global.

E a questão nuclear?

No acordo, o Irã reafirma que não vai obter nem desenvolver armas nucleares. As duas partes concordaram em resolver o destino do material enriquecido que o país acumulou por meio de "diluição" no próprio território iraniano, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o órgão da ONU que fiscaliza programas nucleares.

O que o Irã ganha em troca?

O Departamento do Tesouro dos EUA deve emitir autorizações para a exportação de petróleo bruto, derivados e produtos petrolíferos iranianos. Washington também se compromete a liberar fundos e ativos iranianos que estavam congelados. O memorando ainda menciona a articulação de "parceiros regionais" para criar um fundo de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução do Irã.

O acordo encerra de vez o conflito?

Não automaticamente. O texto abre uma janela de 60 dias de negociação para resolver os pontos mais sensíveis, sobretudo o futuro do programa nuclear iraniano. Antes mesmo da assinatura, uma rodada inicial de conversas que ocorreria na Suíça foi adiada após uma escalada de combates no Líbano.

Há resistência ao entendimento?

Sim. O governo de Israel, comandado por Benjamin Netanyahu, criticou publicamente o memorando e afirmou que não se considera vinculado a ele. Agências de inteligência americanas avaliam que Israel deve continuar atacando forças do grupo Hezbollah no Líbano, o que pode ameaçar a frágil trégua.

Por que isso afeta o Brasil?

Um Oriente Médio mais estável tende a reduzir a pressão sobre os preços internacionais do petróleo, que influenciam diretamente o custo dos combustíveis no Brasil. Como a Petrobras acompanha cotações internacionais na formação de preços, oscilações em Ormuz se refletem, com defasagem, no bolso do consumidor brasileiro.

Qual é o próximo passo?

As partes terão de transformar o memorando em um acordo definitivo dentro do prazo estipulado. O sucesso depende da reabertura efetiva de Ormuz, da retomada das negociações nucleares e de Israel não inviabilizar a trégua com novos ataques.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.