Aprovação de Lula entre 34% e 45% cria cenário de incerteza para reeleição, diz especialista
Cientista político aponta que Lula está no 'limbo', estágio em que ainda há chances de vitória ou derrota para a campanha.
Por Redação Diário Local
A atual aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coloca sua campanha de reeleição em um cenário de incerteza política. Com 35% de avaliações positivas (ótimo ou bom), o presidente situa-se no que o cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida chama de "limbo", zona onde ainda há chances tanto de vitória quanto de derrota.
O patamar de "limbo", que compreende a faixa entre 34% e 45% de aprovação, apresenta um histórico de êxitos para quem está no poder. Segundo o levantamento de Almeida baseado em pesquisas do Datafolha, cinco eleições brasileiras foram decididas nesse intervalo e, em todas elas, o governo no poder conseguiu vencer a disputa.
Apesar do cenário de equilíbrio, o governo enfrentou períodos de maior instabilidade. Durante grande parte de 2025 e de 2026, a aprovação de Lula permaneceu entre 31% e 33%, nível que o especialista classifica como "inferno".
Nesse estágio de baixa popularidade, a tendência histórica é a derrota para o grupo governante. O cientista político cita exemplos como o de José Sarney (PMDB) em 1989, que apoiava Ulysses Guimarães quando tinha 5% de aprovação, e o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2002, que tentou eleger José Serra com 22% de avaliações positivas.
Outros casos de baixa aprovação que resultaram em derrotas foram o de Michel Temer (PMDB), que tinha 4% de aprovação, e o de Jair Bolsonaro (PL), que entrou no pleito com 29% de avaliações antes do primeiro turno.
A depender da evolução dos índices nos próximos 14 dias, a situação pode mudar. Almeida observa que houve uma pequena melhora recente na popularidade do presidente, mas ressalta que, se os números estabilizarem no patamar atual, o caminho tende à derrota.
O que define o cenário favorável?
O cenário oposto ao de risco é denominado como "céu", que ocorre quando um governante ultrapassa os 46% de aprovação. Nesse nível, as probabilidades de derrota são consideradas pequenas pela análise política.
Esse domínio eleitoral ocorreu apenas duas vezes nas últimas nove eleições. Em 2006, Lula conseguiu a reeleição e, em 2010, formou a sucessora Dilma Rousseff (PT), que contava com 80% de aprovação na época.
Para o especialista, a dinâmica de votação é reflexo direto da percepção pública sobre a gestão. Segundo Almeida, quando o governo é bem avaliado, o eleitor tende a votar pela continuidade; quando a avaliação é negativa, o voto costuma buscar a mudança de governo.
