Candidatos às eleições de 2026: 425 inscritos recebem o Bolsa Família
Entre os inscritos, três declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão ao Tribunal Superior Eleitoral
Por Redação Diário Local
Ao menos 425 candidatos inscritos para as eleições de 2026 são beneficiários do Bolsa Família. O levantamento, baseado no cruzamento de dados do governo federal e da Justiça Eleitoral, identificou que três desses candidatos declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir patrimônio superior a R$ 1 milhão.
Em outras 57 situações, os bens relatados pelos candidatos ao TSE somam valores entre R$ 100 mil e R$ 999 mil. As regras de acesso ao programa social determinam que o benefício deve ser concedido a famílias com renda per capita de até R$ 218 mensais.
Quem são os candidatos com maior patrimônio?
Dentre os 425 inscritos no programa, uma candidata a deputada estadual de um estado da região Norte possui o maior patrimônio registrado. Aos 41 anos e formada em direito, ela declarou bens que somam R$ 1,66 milhão, incluindo uma casa e dois carros.
O segundo maior patrimônio entre os beneficiários pertence a um candidato a deputado estadual de 56 anos, de uma unidade da Federação no Sudeste. Ele também declarou profissão de advogado e bens no valor de R$ 1,27 milhão.
A terceira candidata com patrimônio acima de R$ 1 milhão concorre ao cargo de deputada federal em um estado do Centro-Oeste. Ela possui ensino médio completo e declarou bens de R$ 1,1 milhão.
O que dizem os especialistas?
O professor Jean Menezes de Aguiar, da Fundação Getulio Vargas (FGV), defende que casos como estes devem receber atenção de órgãos como a Receita Federal e o Ministério Público Eleitoral. Segundo ele, é necessária uma união entre o Judiciário e o Executivo para inibir situações em que candidatos com bens declarados permanecem no programa social.
Para a economista e professora da FGV, Carla Beni, as irregularidades no Bolsa Família prejudicam o alcance do programa para quem realmente precisa. A economista classifica o cenário como um problema ético e fiscal, defendendo a continuidade de processos de revisão cadastral.
Posicionamento do governo
O Ministério do Desenvolvimento Social afirmou que adota medidas administrativas e realiza ações contínuas de fiscalização e qualificação cadastral. Segundo o órgão, a existência de patrimônio, por si só, não impede automaticamente a manutenção do benefício.
Contudo, o ministério destacou que divergências ou omissões de informações que comprometam a fidedignidade dos dados são tratadas como indícios de irregularidade. Caso as inconsistências sejam confirmadas, podem ser aplicadas a interrupção do pagamento e o ressarcimento de valores recebidos indevidamente.
