Candidatos de Minas Gerais declaram bens com valores aparentemente multiplicados por mil
Levantamento aponta que oito candidatos mineiros apresentam patrimônios com indícios de erro no preenchimento de zeros.
Por Redação Diário Local
Declarações apresentadas por candidatos de Minas Gerais à Justiça Eleitoral contêm valores que apresentam indícios de erros de preenchimento, com bens como automóveis e imóveis com valores aparentemente multiplicados por mil. O levantamento aponta que oito candidatos mineiros possuem um patrimônio declarado somado de R$ 2,33 bilhões.
Os casos apresentam um padrão recorrente: automóveis, imóveis e saldos bancários aparecem com montantes que sugerem um equívoco na quantidade de zeros inserida nos formulários. A declaração patrimonial é obrigatória para quem disputa pleitos eleitorais e serve para que o eleitor conheça e acompanhe a evolução dos bens dos candidatos.
Quais são os casos de veículos com valores discrepantes?
Entre os candidatos a deputado estadual pelo PDT, quatro concentram cerca de R$ 700 milhões em bens com valores que aparentam estar incorretos. Alvamiro Alves, conhecido como Branco, declarou um lote com casa e garagem em Ibirité por R$ 400 milhões, sendo este o único bem informado, enquanto em 2024 ele havia declarado uma casa de R$ 55 mil.
Outros três candidatos do mesmo partido declararam veículos que somam cerca de R$ 300 milhões. Luizinho Abacaxi informou possuir uma Ford F-250 de 2004 avaliada em R$ 110 milhões, valor que difere dos R$ 110 mil registrados para o mesmo veículo na eleição de 2024. Edimar Ferreira declarou uma Chevrolet Tracker Premier no valor de R$ 90 milhões.
Thais Xavier declarou um Hyundai HB20 de 2020 por R$ 54,3 milhões e um Chevrolet Onix de 2016 por R$ 44,5 milhões. Já Pedro da MEP, também pelo PDT, informou cinco bens que somam R$ 163,5 milhões, incluindo uma Chevrolet S10 de R$ 101 milhões, uma Volkswagen Saveiro de R$ 48 milhões e uma motocicleta Honda CG Titan de R$ 6,3 milhões.
Imóveis e saldos bancários milionários
No campo dos imóveis, o candidato a deputado estadual Lerin, do Democrata, declarou um patrimônio de R$ 291 milhões, que inclui um imóvel residencial de R$ 70 milhões e um apartamento de R$ 23,2 milhões. Em 2024, o patrimônio informado por ele era de R$ 1,6 milhão.
O candidato Sergio Cassemiro, também do Democrata, registrou dois apartamentos avaliados em R$ 242 milhões, sendo um em Belo Horizonte por R$ 200 milhões e outro na região da Rodovia Fernão Dias por R$ 42 milhões. Cassemiro não havia declarado bens na eleição de 2024.
O maior patrimônio com indícios de erro pertence ao candidato ao Senado Ramon Moreira. Ele declarou R$ 939,6 milhões em bens, dos quais R$ 926,3 milhões referem-se a dois saldos bancários. Caso os valores tenham sido multiplicados por mil, o patrimônio total cairia para cerca de R$ 14,2 milhões, valor próximo aos R$ 13,5 milhões declarados por ele em 2022.
