Convenções do PT e do Missão devem ser maiores que a do PL, afirma cientista político
Estratégia de marcar encontros para a data-limite favorece repercussão e memória do eleitor, segundo Rudá Ricci
Por Redação Diário Local
As convenções nacionais do PT e do Missão devem ser maiores e causar maior impacto do que as realizadas pelos demais partidos, segundo o sociólogo e cientista político Rudá Ricci. Em entrevista realizada na quinta-feira (30), o presidente do Instituto Cultiva afirmou que a estratégia de deixar os encontros para o limite do calendário eleitoral permite observar os adversários e organizar eventos com maior potencial de repercussão.
As convenções partidárias podem ser realizadas no período de 20 de julho a 5 de agosto. O PT e o Missão optaram por marcar seus eventos nos últimos dias do prazo, uma movimentação que, segundo Ricci, favorece a permanência do tema no debate público.
Para o cientista político, as convenções mais recentes têm mais chances de ficarem na "memória fresca" do eleitor. Ele espera eventos de grande porte tanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, quanto para o candidato Renan Santos, que tenta ampliar sua visibilidade na corrida presidencial.
No caso de Renan Santos, o evento é visto como uma oportunidade para compensar o desempenho modesto nas pesquisas de intenção de voto. Ricci destacou que o candidato precisará transformar a convenção em um ato capaz de produzir imagens e declarações com potencial de viralização em redes sociais e na televisão.
Análise sobre a convenção do PL
Ao analisar a convenção do PL, realizada no sábado (25), Ricci afirmou que o evento produziu menos benefícios políticos para Flávio Bolsonaro do que o esperado. Segundo o sociólogo, a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, acabou desviando a atenção da oficialização da candidatura do senador.
O cientista político relatou que pesquisas feitas logo após o encontro revelaram que a imagem de Milei acabou obscurecendo a de Flávio Bolsonaro, sendo o líder argentino o mais citado nas redes sociais. Além disso, Ricci observou um esvaziamento do plenário durante o discurso do senador.
Para o especialista, o esvaziamento do auditório no momento da fala de Flávio Bolsonaro evidencia dificuldades de mobilização dentro da própria base política do partido. De acordo com Ricci, o cenário sugere que a base não está apoiando a candidatura com o vigor esperado.
