40% dos brasileiros associam pobreza à preguiça, aponta Datafolha
Pesquisa do Instituto Datafolha mostra que a proporção de brasileiros que culpam a falta de vontade pela pobreza quase dobrou em relação a 2022.
Por Diário Local
O Instituto Datafolha divulgou nesta sexta-feira (3/7) uma pesquisa que revela mudança expressiva na percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza. Quarenta por cento dos entrevistados agora associam a pobreza à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar" — um salto de quase 100% em relação a 2022, quando 22% concordavam com essa afirmação.
Paralelamente, diminuiu o percentual de brasileiros que atribui a pobreza à falta de oportunidades iguais. Hoje, 58% compartilham dessa visão, comparado a 76% em 2022 — uma queda de 18 pontos percentuais.
A mudança foi uma das mais significativas registradas na pesquisa que mede a matriz ideológica da população brasileira.
Sobre a pesquisa
O levantamento do Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Além de pobreza, a pesquisa avalia a posição ideológica dos brasileiros em temas como armas, migração, criminalidade, pena de morte, drogas, homossexualidade, crença religiosa, sindicatos e punição de adolescentes que cometem crimes.
Direita supera esquerda pela primeira vez desde 2014
Os dados revelam também uma inflexão no posicionamento ideológico geral. Pela primeira vez desde 2014, mais brasileiros se identificam com a direita do que com a esquerda.
De acordo com o Datafolha, 44% dos brasileiros se identificam com a direita ou centro-direita. Outros 39% enquadram-se na esquerda ou centro-esquerda, enquanto 17% se posicionam no centro.
Em 2022, quando a pesquisa foi realizada pela última vez, a esquerda contava com 49% dos brasileiros e a direita com 34% — uma inversão de 10 pontos percentuais em cada espectro em apenas quatro anos.
