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Eleições

Brasil terá primeira eleição com regras de inteligência artificial em outubro

Tribunal Superior Eleitoral proibiu deepfakes e impôs obrigações de remoção de conteúdo para as eleições de outubro.

Por Redação Diário Local

O Brasil disputará, em outubro, a primeira eleição geral sob regras específicas para o uso de inteligência artificial (IA). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o uso de deepfakes e determinou que todo conteúdo de propaganda gerado por IA exija aviso explícito ao eleitor.

As novas normas também impõem obrigações de remoção de conteúdos às plataformas digitais. O objetivo é mitigar os impactos da tecnologia no processo eleitoral, embora especialistas apontem que o desafio vai além do controle de conteúdos, atingindo a forma como a informação é consumida e como a vontade do cidadão é formada.

O que dizem as regras para as eleições?

Para o pleito de outubro, o TSE estabeleceu diretrizes para combater a desinformação tecnológica. A proibição de deepfakes visa impedir que simulações hiper-realistas de pessoas sejam usadas para enganar o eleitorado. Além disso, a obrigatoriedade de sinalizar conteúdos criados por IA busca conferir transparência ao processo de propaganda.

As plataformas digitais passam a ter responsabilidades mais claras quanto à remoção de materiais que violem as normas estabelecidas. Essa estrutura de controle tenta conter a velocidade com que conteúdos simulados podem circular e influenciar o debate público antes de serem desmentidos.

O cenário jurídico sobre o tema foi reforçado em junho de 2026. Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, fixando a presunção relativa de culpa para anúncios, impulsionamentos pagos e mecanismos artificiais de disseminação.

Com a decisão, as plataformas podem ser responsabilizadas pela disseminação de conteúdos pagos, independentemente de notificação prévia, a menos que comprovem ter agido com diligência e em tempo razoável para remover o material.

Desafios da participação digital

A tecnologia também altera a dinâmica da participação política. Embora permita consultas públicas mais rápidas e baratas, como observado na plataforma Brasil Participativo — que reuniu 1,4 milhão de participantes durante a formulação do Plano Plurianual 2024-2027 —, a qualidade dessa participação é alvo de debates.

Uma avaliação publicada na Revista de Administração Pública indicou que o sucesso numérico de plataformas digitais não garante a qualidade das propostas enviadas. No caso de temas como saúde, houve dificuldades em rastrear se as sugestões dos participantes foram efetivamente analisadas pelos órgãos oficiais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.