José Dirceu afirma que segurança pública é problema mais estadual do que nacional
Político criticou políticas de enfrentamento ao crime e defendeu leis para atingir o sistema financeiro das facções criminosas
Por Redação Diário Local
O ex-ministro José Dirceu (PT) afirmou que a responsabilidade sobre a segurança pública é majoritariamente dos governos locais, e não do governo federal. Em declarações nesta quinta-feira (30), o político criticou as atuais políticas de enfrentamento ao crime organizado e defendeu a criação de leis focadas no sufocamento financeiro das facções criminosas.
Segundo Dirceu, o tema possui uma dimensão mais estadual do que nacional. Ao citar o estado de São Paulo, onde reside, o político observou que a insatisfação popular com a gestão do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes acaba sendo refletida na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-ministro destacou que o atual governo federal tem atuado na questão por meio do Ministério da Segurança Pública. Entre as medidas mencionadas, estão a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e da PEC das Facções Criminosas, além da realização de operações contra o crime organizado.
Dirceu defendeu a aplicação da lei do perdimento como estratégia para desarticular o poder das organizações criminosas. A medida permitiria que a União tivesse poderes para apreender, leiloar ou destinar ao uso público bens como joias, obras de arte, carros, aviões e recursos financeiros.
Para o político, o objetivo central dessa legislação é desmontar o sistema empresarial das facções. Ele classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como uma máfia internacional e um empreendimento de natureza transnacional.
Apesar de reconhecer a gravidade do crime organizado, o ex-ministro rejeitou a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas sob o ponto de vista político. Ele argumentou que o termo não se aplica quando o objetivo é a tomada de poder estatal.
Contudo, Dirceu admitiu que as facções provocam terror na população. Ele explicou que o governo federal mantém colaboração com órgãos internacionais, como a Interpol e o FBI, além de polícias europeias, para o combate ao problema.
O posicionamento ocorre em um momento de atenção para o tema, visto que a segurança pública deve ser um ponto central na campanha presidencial de 2026. Pesquisas indicam que o crescimento das facções e seus impactos diretos no cotidiano são preocupações de grande parte dos brasileiros.
Quais as propostas para o combate às facções?
As propostas defendidas pelo ex-ministro centram-se no sufocamento financeiro das organizações. A ideia é utilizar o aparato estatal para atingir o patrimônio dos grupos criminosos, tratando-os como estruturas empresariais que precisam ser desarticuladas pelo Estado.
A aplicação da lei do perdimento é vista como o instrumento principal para que o Estado recupere bens e recursos que alimentam o crime. Com isso, o foco deixa de ser apenas o confronto direto e passa a ser o impacto econômico sobre as facções.
O debate sobre a classificação de grupos como terroristas também foi levantado, mas com ressalvas. O argumento utilizado é que, embora causem medo e desordem social, essas organizações não possuem, no momento, um projeto de poder político que justifique o rótulo de terrorismo estatal.
A gestão da segurança pública segue sendo uma disputa de competências entre municípios, estados e União. A percepção de eficiência das autoridades locais tem sido um fator determinante para a avaliação do governo federal pela população.
O fortalecimento das polícias e a colaboração com agências de inteligência estrangeiras continuam sendo as bases da atuação atual. A coordenação entre as forças de segurança nacionais e internacionais busca cercar o alcance das facções transnacionais.
Com a proximidade do próximo ciclo eleitoral, a segurança pública deve pautar o debate entre os candidatos. A capacidade de resposta do Estado ao crime organizado e a gestão dos recursos para o setor são temas que ganham escala nas discussões políticas.
