Lula afirma que criou o Foro de São Paulo para apoiar eleições na América Latina
Durante convenção do PT, presidente explicou que o objetivo era convencer partidos de esquerda a respeitar o sistema democrático.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo (2), que fundou o Foro de São Paulo na década de 1990 para incentivar que partidos de esquerda na América Latina respeitassem o sistema democrático. A declaração ocorreu durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que confirmou a candidatura de Lula à reeleição.
Segundo o presidente, a criação do grupo teve como objetivo convencer organizações de esquerda a conviverem com a adversidade política por meio do processo eleitoral, em vez da luta armada. Lula relatou que a ideia surgiu após sua participação no segundo turno das eleições de 1989 e que o propósito era educar a esquerda latino-americana através das urnas.
O presidente detalhou que reuniu representantes de movimentos e partidos da região em uma reunião no hotel Danúbio, em São Paulo, em junho de 1990. Na ocasião, a proposta era defender a organização popular e a eleição direta como as vias para a conquista do poder. Lula citou que o modelo permitiu vitórias em países como Chile, Equador, Venezuela, Uruguai, Argentina e o próprio Brasil.
O que é o Foro de São Paulo?
O Foro de São Paulo foi fundado em 1990 por Lula e pelo então líder de Cuba, Fidel Castro, em um contexto de reorganização geopolítica global após a queda do Muro de Berlim. O grupo tinha como meta traçar estratégias para a esquerda na América Latina e no Caribe, mantendo um discurso de oposição ao neoliberalismo e ao capitalismo.
Atualmente, a organização reúne mais de 100 movimentos e partidos distribuídos em 27 países. A primeira reunião oficial do grupo contou com a participação de 48 organizações da região e deu origem à Declaração de São Paulo.
Por que existem divergências sobre o modelo na região?
Embora o objetivo declarado pelo presidente tenha sido o fortalecimento da democracia, o cenário latino-americano apresenta exemplos de regimes autoritários ou processos de erosão democrática sob governos de esquerda. Na Cuba de Fidel Castro, o Estado mantém o modelo de partido único e repressão a dissidentes desde 1959.
Na Nicarágua, o retorno de Daniel Ortega ao poder em 2007 foi seguido por uma concentração de poder e repressão a opositores. Já na Venezuela, o governo de Hugo Chávez iniciou um processo de enfraquecimento de instituições independentes que se estendeu durante a gestão de Nicolás Maduro, cuja reeleição em 2018 foi questionada internacionalmente.
Na Bolívia, a Organização dos Estados Americanos (OEA) concluiu que o pleito de 2019, que envolvia o então presidente Evo Morales, apresentou irregularidades graves e manipulação dolosa, resultando na anulação da disputa que havia sido declarada como vitória de Morales.
