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Política

Lula mantém vantagem nas pesquisas mesmo com investigações contra aliados

Pesquisa Datafolha mostra presidente com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro

Por Redação Diário Local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem nas primeiras pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026, apesar do avanço de investigações envolvendo aliados próximos. Segundo levantamento do Datafolha realizado desde o início oficial da campanha, Lula aparece com 39% das intenções de voto para o primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 33%.

Em um eventual segundo turno, o petista soma 47% contra 43% do senador, uma diferença de quatro pontos percentuais que situa o resultado no limite do empate técnico, considerando a margem de erro. Os dados indicam que o fluxo de notícias negativas sobre o governo ainda não causou uma ruptura relevante na base de apoio do atual presidente.

A resistência eleitoral tem sido associada por analistas ao chamado “efeito Teflon”. O termo descreve lideranças que conseguem atravessar crises ou acusações sem perder o apoio de seus eleitores com a mesma intensidade. Para Leopoldo Vieira, da Idealpolitik, o conceito sugere que a imagem de figuras públicas pode manter resiliência mesmo diante de controvérsias.

A polarização política também é apontada como um fator que estabiliza as intenções de voto. O analista político Vitor Scalet, da XP, explica que a disputa está submetida a uma “âncora”, com bases eleitorais já consolidadas em torno dos dois principais polos. Isso significa que choques políticos podem deslocar votos no curto prazo, mas dificilmente desmontam as bases formadas.

Além disso, o ritmo de absorção dos acontecimentos pelo eleitor costuma ser diferente da velocidade do noticiário. Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, observa que pequenas variações nas pesquisas próximas à margem de erro exigem cautela antes de serem interpretadas como uma mudança de tendência real.

O que revelam as investigações?

A pressão sobre a campanha de Lula advém de inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF). Um dos eixos apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em negócios relacionados ao governo federal. A PF identificou mensagens e relações comerciais com a empresária Roberta Luchsinger, que buscava abertura na administração para projetos privados.

A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e questiona a forma como o material investigativo foi divulgado. Paralelamente, a PF apura pagamentos feitos por Roberta para custear despesas pessoais de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência, conhecido como Marcola. O ex-chefe de gabinete afirma que os valores foram um empréstimo já devolvido e nega favorecimento.

O principal risco político para o governo reside na capacidade de adversários transformarem essas investigações em um tema permanente da campanha. Analistas avaliam que o impacto desses episódios pode crescer à medida que a eleição se aproxima, diminuindo o tempo de recuperação das candidaturas diante de novos escândalos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.