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Pressão de Valdemar sobre candidatura de Michelle divide seu entorno político

Presidente do PL declarou que ex-primeira-dama não deve disputar vaga pelo DF, enquanto aliadas a incentivam a seguir adiante.

Por Diário Local

A declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que Michelle Bolsonaro não deve disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal é vista por aliadas da ex-primeira-dama como uma tentativa de pressionar uma decisão sobre seu futuro político. O recado de Valdemar contradiz esforços de integrantes próximas a Michelle para mantê-la na disputa eleitoral.

Valdemar fez a declaração na última quinta-feira (2/7), um dia após se reunir com Michelle. Segundo ele, durante o encontro a ex-primeira-dama sugeriu talvez não ser candidata ao Senado. Porém, logo após essa reunião, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão (DF) se encontraram com Michelle e reafirmaram que ela pode disputar uma das duas vagas à Casa Alta pelo DF.

Fontes próximas a Michelle interpretam o posicionamento do presidente do PL como uma pressão para que ela defina seu caminho. Uma eventual candidatura a senadora no DF poderia colocá-la em um palanque compartilhado com Flávio Bolsonaro, seu enteado, em um cenário ainda marcado por tensão entre ambos.

A situação se acirrou após Michelle entregar a presidência do PL Mulher durante a reunião com Valdemar em clima tenso. Antes disso, na quarta-feira (24/6), a ex-primeira-dama havia publicado vídeos nas redes sociais criticando a composição do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.

Nos vídeos, Michelle pediu "coerência" do partido, argumentando que deveria apoiar Eduardo Girão (Novo) em vez do ex-pedetista, considerado opositor histórico de Bolsonaro e seus filhos. Ela afirmou que o enteado a "humilhou", "maltratou" e "desrespeitou" por defender a candidatura de Girão e deixou claro que não queria seu apoio.

Flávio Bolsonaro respondeu inicialmente afirmando que "nada nem ninguém me aborrece". Depois publicou uma nota em que pediu desculpas à madrasta, afirmando nunca ter desrespeitado mulheres, e sugeriu um encontro com ela e outras lideranças femininas do campo conservador. O apelo não foi atendido por Michelle, Damares ou Celina.

De acordo com informações, o encontro entre Michelle e Valdemar não foi ameno. A ex-primeira-dama chegou a ameaçar se desfiliar do PL, mas foi convencida por Damares e Celina a permanecer na legenda após o desfecho dessa reunião.

Michelle nunca assumiu publicamente que seria candidata nestas eleições. Ao seu entorno, ela tem mantido que sua decisão depende, entre outros fatores, da resolução do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre manter ou estender a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Na última sexta-feira (3/7), Moraes manteve o regime em que se encontrava o ex-presidente.

A ex-primeira-dama também conta com o tempo até as convenções partidárias para definir sua candidatura. As convenções constituem um prazo natural para que ela bata o martelo sobre sua entrada ou não na disputa pelo Senado.

Enquanto isso, o PL começou a sondar nomes alternativos para a disputa no lugar de Michelle. O partido terá cerca de um mês para viabilizar um nome competitivo caso a ex-primeira-dama decida não disputar o cargo.

Na mesma entrevista em que declarou que Michelle não deveria ser candidata, Valdemar criticou a ex-primeira-dama por repostar um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos). O conteúdo refere-se a supostas festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido como "a noite dos astronautas".

Michelle compartilhou a gravação no dia 29 de maio com a legenda "A verdade de Jesus vai prevalecer", gesto interpretado por aliados como uma indireta ao enteado. "Olha, ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade", disse Valdemar em entrevista à Rádio Gaúcha. "O posicionamento da presidente Michelle foi desaprovado", completou.

Flávio rebateu as alegações ao afirmar que sua relação com o banqueiro se limitou a solicitar R$ 134 milhões para o financiamento de um filme chamado Dark Horse. O senador disse que a madrasta estaria "completamente desinformada" sobre o assunto.

O impasse sobre a candidatura de Michelle segue em aberto, com a ex-primeira-dama mantendo em sigilo sua decisão final enquanto tensões políticas e familiares continuam marcando o cenário no Distrito Federal.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.