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Motta pode pautar projeto sobre combustíveis se governo mantiver subsídio à gasolina

Presidente da Câmara avisou líderes que pretende votar proposta de compensação de arrecadação caso o Executivo não retire o benefício da gasolina

Por Redação Diário Local

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, informou aos líderes partidários que poderá colocar em votação o projeto de lei que cria um mecanismo para compensar a perda de arrecadação decorrente da redução de tributos sobre combustíveis. A decisão seria tomada caso o governo não conclua a retirada do subsídio à gasolina.

Segundo informações de participantes de reunião realizada na terça-feira, Motta pretende pautar a proposta nesta quinta-feira se o governo mantiver o benefício concedido ao combustível. O objetivo é assegurar o diferencial competitivo entre a gasolina e o etanol, conforme previsto na Constituição.

O setor de etanol tem pressionado o presidente da Câmara pela votação, argumentando que o biocombustível está em desvantagem de preço diante da gasolina após a aplicação do subsídio.

O que diz o projeto de lei?

O texto em questão é o PLP 114/2026, apresentado pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta. A proposta altera as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para permitir que, em caráter excepcional durante 2026, a União utilize receitas extraordinárias da alta do petróleo para compensar a queda na arrecadação federal sobre gasolina, diesel, biodiesel e etanol.

A proposta foi enviada ao Congresso em abril, com o objetivo de criar uma base legal para financiar a desoneração dos combustíveis após os impactos da guerra no Oriente Médio. A equipe econômica avaliava que a redução de tributos seria mais eficiente para baixar os preços nas bombas do que o uso de subsídios diretos.

Durante a tramitação na Câmara, o projeto recebeu emendas que ampliaram seu impacto fiscal. A versão que poderá ser apreciada pelo plenário é o substitutivo relatado pela deputada Marussa Boldrin, que amplia o alcance da proposta original.

O posicionamento do governo

O governo havia anunciado o início da retirada gradual das medidas adotadas para conter a alta dos combustíveis. Como primeira ação, foi encerrada a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel, e o Executivo informou que revisaria os demais incentivos, incluindo o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que, com a normalização do mercado internacional, o projeto perdeu sua finalidade. Segundo o ministro, a desoneração de tributos faria sentido enquanto o governo avaliava o mecanismo como forma de reduzir preços, mas a decisão de retirar os benefícios gradualmente mudou o cenário.

Moretti declarou ainda que o governo mantinha diálogo com Hugo Motta para evitar que o projeto fosse levado à votação. Entretanto, a sinalização dada pelo presidente da Câmara indica que a Casa pode seguir um caminho diferente do defendido pelo Palácio do Planalto, em um momento de pressão antes do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.