Lula afirma que crime organizado se tornou 'indústria multinacional' e Estado não dá conta
Durante reunião de campanha nesta segunda-feira (5), o presidente afirmou que os Estados não conseguem combater a bandidagem devido à sofisticação do crime.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (5), que os Estados não têm capacidade de combater o crime organizado de forma efetiva porque a criminalidade se transformou em uma "indústria multinacional". A declaração foi feita durante uma reunião de campanha voltada ao segundo turno das eleições de 2026.
Segundo o presidente, o crescimento e a sofisticação das organizações criminosas impedem que o Estado atue sozinho na segurança pública. Lula declarou que o crime organizado se infiltrou em diversos setores da sociedade, como o Poder Judiciário, partidos políticos e clubes de futebol.
O petista defendeu que o modelo de responsabilidade pela segurança pública estabelecido pela Constituição de 1988, que transfere a execução aos Estados, já não é suficiente para o atual nível de avanço das facções. Ele argumentou que o governo não pode oferecer promessas que não sejam tecnicamente possíveis de cumprir.
O que propõe a PEC da Segurança Pública?
Como solução, o presidente ressaltou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada ao Congresso Nacional. A medida busca autorizar a União a participar diretamente da segurança pública, estabelecendo de forma clara o papel do governo federal na área.
Lula explicou que, no formato atual, a Polícia Federal (PF) atua apenas em crimes de competência federal, o que limita a capacidade de intervenção direta do governo central nos estados. A proposta, que é uma das principais bandeiras da campanha para o segundo turno, tramita no Senado Federal.
A expectativa é que a votação da PEC seja finalizada somente após o encerramento do período eleitoral. A medida visa dar ferramentas concretas para que o governo federal possa atuar de forma coordenada com as forças estaduais.
Cenário eleitoral e primeiro turno
As declarações ocorreram durante uma reunião de campanha após os resultados do primeiro turno, disputado no domingo (4). Na votação, o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve 47,03% dos votos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou a apuração com 45,16%.
A reunião emergencial faz parte da estratégia do governo para tentar reverter o cenário e buscar a vitória no segundo turno da disputa presidencial de 2026.
