Urna eletrônica completa 30 anos e transformou o processo de votação no Brasil
Dispositivo estreou em 1996 e trouxe mudanças na apuração, segurança e acessibilidade ao sistema eleitoral.
Por Redação Diário Local
A urna eletrônica completa 30 anos de uso no Brasil, consolidando um processo que transformou a logística, a apuração e o trabalho dos cartórios eleitorais. O dispositivo foi introduzido no sistema de votação durante as eleições municipais de 1996, quando foi aplicado inicialmente em cidades selecionadas.
O uso do equipamento começou em municípios como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberlândia e Contagem, em Minas Gerais. Em 2000, o Brasil realizou sua primeira eleição totalmente eletrônica em todo o território nacional.
Como começou a informatização?
A transição para o modelo digital envolveu etapas preparatórias antes mesmo da chegada das máquinas. Em 1986, ocorreu um recadastramento eleitoral que substituiu o título de papel pelo modelo que passou a ser utilizado para a informatização do trabalho nos cartórios e tribunais.
A partir de 1994, a Justiça Eleitoral iniciou testes com sistemas de processamento de dados para converter informações de apuração em dados eletrônicos, embora a votação ainda fosse realizada por meio de cédulas de papel. A busca por uma máquina de votar foi impulsionada por uma crise na apuração das eleições de 1994 no Rio de Janeiro, que levou à anulação do pleito e à necessidade de novas medidas para evitar fraudes.
Segurança e tecnologia do equipamento
O nome oficial do dispositivo é Coletor Eletrônico de Voto (CEV). Um dos seus principais mecanismos de proteção é o isolamento: a urna não possui acesso à internet ou a qualquer rede externa, o que impossibilita acessos remotos durante o uso.
A produção do equipamento é dividida entre hardware e software. A parte física é fabricada por empresas nacionais via licitação, enquanto o software é desenvolvido exclusivamente pela Justiça Eleitoral. Para evitar alterações, o equipamento só executa programas que possuem assinatura digital do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao longo dos anos, a tecnologia evoluiu com a implementação do Registro Digital do Voto (RDV), que embaralha os dados para garantir o sigilo, além da inclusão da identificação biométrica e de recursos de acessibilidade, como sintetizador de voz e intérprete de Libras.
O que muda nas eleições de 2026?
Nas eleições de 2026, a interface da urna apresenta uma atualização para auxiliar o eleitor. Foi incluída uma barra de progresso que indica quais cargos já foram votados, qual está em votação no momento e quais ainda restam na lista.
A medida tem como objetivo diminuir o risco de o eleitor registrar um número no campo destinado a um cargo diferente do pretendido. A mudança faz parte da contínua evolução de um sistema que, desde os primeiros protótipos desenvolvidos em Minas Gerais, busca facilitar a votação e aumentar a agilidade na apuração dos resultados.
