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Saúde

Aumento de vírus no inverno pode desencadear crises de asma, alertam especialistas

Circulação de vírus e ambientes fechados são gatilhos para agravamento do quadro, especialmente em crianças e adolescentes.

Por Diário Local

A maior circulação de vírus no ambiente e a permanência de pessoas em locais fechados durante o inverno podem servir de gatilhos para crises de asma. O cenário é especialmente preocupante para crianças e adolescentes, que representam a maioria das internações pelo problema no país.

O coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, explica que o frio não é o agente direto que agrava a condição. O risco reside na maior incidência de infecções nas vias respiratórias, como resfriados e viroses, que adicionam uma nova inflamação aos brônquios de quem já possui o quadro de asma não controlado.

De acordo com o especialista, o tratamento deve ser contínuo ao longo de todo o ano. A imunização contra agentes como o vírus da gripe (Influenza), Covid e o vírus sincicial respiratório (VSR) também é recomendada para reduzir o risco de hospitalizações e agravamentos da inflamação respiratória.

Como prevenir as crises de asma?

Para minimizar as chances de novos episódios, a pneumologista Marcela Marques indica cuidados com a higiene do ambiente doméstico. Ela recomenda que as casas sejam arejadas, com entrada de luz solar e sem presença de mofo ou umidade. Itens como cortinas devem estar limpas, e deve-se evitar o acúmulo de brinquedos ou bichos de pelúcia nos quartos de crianças.

Na limpeza, a orientação é substituir a vassoura pelo uso de pano úmido ou aspirador de pó, evitando a suspensão de partículas no ar. Além disso, o uso de edredons é preferível ao de cobertores. Outro ponto crítico é o afastamento de fumantes, já que o contato com a fumaça de cigarro comum, eletrônico ou narguilé atua como um dos principais fatores de risco para crises.

A profissional reforça que o início rápido do tratamento com medicação preventiva e o conhecimento de um plano de crise pela família podem evitar idas frequentes ao pronto-socorro. Caso as medidas iniciais de controle não funcionem, a orientação é buscar serviço médico imediatamente.

Quem são os mais afetados?

Dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), levantados pela organização Umane, mostram que crianças e adolescentes de 0 a 14 anos responderam por 70,5% das internações por asma em julho de 2024. Naquele mês, foram registradas 4.034 internações nessa faixa etária, número quase o dobro das 2.108 ocorridas em janeiro.

Ao longo de todo o ano de 2024, o Brasil registrou 52.087 internações por asma, com o grupo de crianças e adolescentes até 14 anos representando 73,7% do total nacional.

O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), complementa que a aglomeração em locais fechados, comum no inverno, propicia a transmissão viral. Ele recomenda o distanciamento de pessoas com sintomas de resfriado e a manutenção das vacinas, incluindo a pneumocócica, além do uso de máscaras para prevenir a transmissão de vírus como o rinovírus e a Influenza.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.