Estudos indicam que comer tarde pode afetar metabolismo e gasto de energia
Pesquisas mostram que o corpo gasta mais energia para processar alimentos pela manhã e que refeições próximas ao sono alteram o descanso.
Por Redação Diário Local
O horário em que as refeições são feitas pode influenciar a forma como o organismo utiliza a energia. Pesquisas conduzidas por cientistas nos Estados Unidos indicam que o gasto energético é maior durante o período da manhã em comparação ao período da noite.
Um estudo realizado por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School acompanhou 16 adultos com sobrepeso ou obesidade para avaliar a resposta do corpo ao longo do ciclo circadiano — o relógio biológico que regula o sono, a temperatura corporal, os hormônios e o metabolismo.
Os resultados mostraram que o gasto de energia necessário para processar os alimentos foi cerca de 44% maior durante a manhã biológica do que no período da noite. Segundo os autores, a diferença ajuda a explicar o papel do horário da alimentação no controle de peso e na saúde metabólica.
Como comer perto do sono afeta o corpo?
Outro levantamento avaliou o impacto de consumir alimentos próximo ao momento do repouso. Pesquisadores acompanharam 13 mulheres jovens em duas situações: uma refeição realizada uma hora antes de dormir e outra cinco horas antes.
A alimentação feita uma hora antes de deitar foi associada a alterações na qualidade e na estabilidade do sono. Os cientistas também observaram mudanças transitórias na resposta da glicose, embora não tenham sido registradas diferenças significativas no teste de tolerância à glicose realizado na manhã seguinte.
As evidências sugerem interferência nos processos metabólicos e no descanso, mas não indicam que a prática cause doenças de forma isolada.
Qual a relação com o risco de doenças?
Pesquisas observacionais também analisam os efeitos de rotinas alimentares tardias em populações maiores. Um estudo publicado em 2026, que acompanhou mais de 31 mil adultos, identificou uma associação entre horários mais tardios para a primeira e a última refeição e um maior risco de mortalidade geral e cardiovascular.
De acordo com os dados, pessoas que faziam a última refeição após a meia-noite apresentaram maior risco em comparação com aquelas que se alimentavam entre 19h e 20h. Por ser um estudo observacional, os pesquisadores alertam que os dados mostram uma associação, mas não provam relação de causa e efeito.
Especialistas ressaltam que o impacto da alimentação varia de acordo com o horário, a quantidade, a composição da refeição, o padrão de sono e o perfil de cada indivíduo. Testes de longo prazo seguem em andamento para avaliar o potencial preventivo da mudança de horários contra a obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
