Estudo aponta que crianças consomem quase o dobro do sal recomendado para a saúde
Levantamento da Ufes mostra que estudantes de 6 a 17 anos ingerem, em média, 8,8 gramas de sal por dia
Por Davy Albuquerque
Crianças e adolescentes consomem, em média, 8,8 gramas de sal por dia, quantidade que representa quase o dobro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O dado faz parte de um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) realizado com estudantes de 6 a 17 anos.
O levantamento foi conduzido pelo grupo de pesquisa em Epidemiologia das Doenças Crônicas do Centro de Ciências da Saúde da Ufes para o Ministério da Saúde. A pesquisa contou com a participação de 619 alunos de escolas públicas e privadas de Vitória.
Segundo o coordenador geral do estudo, José Geraldo Mill, o consumo elevado pode elevar o risco de problemas de saúde ao longo da vida. O especialista destaca que crianças com pressão arterial mais elevada têm maior probabilidade de apresentar hipertensão na vida adulta.
Como o consumo de sal foi medido?
Para verificar a ingestão de sódio, os pesquisadores utilizaram a coleta de urina durante 24 horas. O método é considerado o mais preciso para esse tipo de estimativa, uma vez que entre 90% e 95% do sódio ingerido é eliminado pela urina.
O estudo, que integra o Projeto Kids Sal, também identificou que o consumo de sal aumenta conforme a idade avança. Além disso, o levantamento aponta que os meninos consomem mais sal do que as meninas, apresentando maior preferência por alimentos mais salgados.
Cerca de 4% dos participantes da pesquisa apresentaram níveis de pressão arterial compatíveis com pré-hipertensão ou hipertensão.
Quais os riscos do excesso de sódio?
O consumo elevado de sal pode causar a elevação da pressão arterial e aumentar o risco de cálculos renais. Além disso, o hábito pode fazer com que os jovens percam o interesse por alimentos naturais ao se acostumarem com sabores intensos.
A pediatra Flávia Tavares associa o consumo excessivo à oferta de alimentos ultraprocessados, que são quimicamente estimulantes (hiperpalatáveis). Ela ressalta que o risco de excesso de sal pode começar a partir dos 2 anos de idade.
Para evitar o problema, especialistas recomendam reduzir o uso de sal aos poucos para treinar o paladar, substituir temperos prontos por opções naturais — como alho, cebola, ervas e limão — e priorizar o planejamento de refeições caseiras para reduzir a dependência de produtos industrializados.
