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Saúde Mental

Dívidas afetam o bem-estar emocional de 87% dos brasileiros, aponta pesquisa

Levantamento da 99pay mostra que preocupações financeiras geram ansiedade, tristeza e insônia em grande parte da população.

Por Redação Diário Local

O desequilíbrio financeiro tem afetado o bem-estar emocional de 87% dos brasileiros em algum grau nos últimos 12 meses. Segundo pesquisa da 99pay, a situação das contas pessoais é um dos principais gatilhos para problemas de saúde mental no país.

O levantamento, que ouviu 1,5 mil pessoas de todas as regiões do Brasil por meio de questionário online, aponta que a preocupação com o dinheiro se manifesta por sentimentos como ansiedade, tristeza, medo, impotência e insegurança. O impacto também é físico: um estudo da Serasa em parceria com a Opinion Box revelou que sete em cada 10 entrevistados afirmam que as dívidas já prejudicaram o sono.

As principais fontes de desgaste emocional identificadas são o atraso no pagamento de contas e a dificuldade de poupar (37%), o medo de gastos inesperados (33%) e o crescimento contínuo das dívidas (31%). Além disso, a pressão financeira impacta o autocuidado, com 24% dos brasileiros adiando consultas médicas e 15% deixando de buscar atendimento psicológico por motivos de custo.

Por que o dinheiro mexe com a saúde mental?

A relação entre finanças e psicologia ocorre porque o dinheiro atua como um intermediário social e emocional. A psicóloga clínica Marcela Fernandes, sócia-fundadora da Cooperativa de Trabalho dos Psicólogos do Espírito Santo (Coopsi), explica que o recurso está ligado a necessidades humanas fundamentais, como segurança, autonomia e liberdade.

Para a especialista, o endividamento pode ser percebido como um fracasso pessoal, atingindo a autoestima e gerando medo de julgamento. Ela aponta que o comportamento de consumo pode ser usado como uma tentativa de aliviar o estresse e buscar prazer imediato, mas o ciclo de culpa e vergonha ao perceber o descontrole do orçamento acaba agravando o quadro emocional.

Quais são os riscos do endividamento?

O aumento das dívidas pode elevar os níveis de angústia e desespero, levando a comportamentos impulsivos de fuga. O psiquiatra Gilson Giuberti Filho, da Unimed Vitória, alerta que essas atitudes podem trazer consequências perigosas. O médico destaca ainda que a busca por status por meio do consumo de marcas sofisticadas pode mascarar um esvaziamento de sentido pessoal.

Um fator de risco importante é a esquiva: evitar encarar a realidade financeira ou ter medo de abrir faturas aumenta o estresse e a sensação de impotência. Esse cenário pode comprometer severamente a prevenção de problemas mais graves, relacionados ao risco de suicídio, devido à extrema percepção de falta de saída.

Quando deve-se buscar ajuda?

Especialistas recomendam atenção redobrada quando o sofrimento financeiro se torna intenso, persistente e interfere na rotina. Sinais de alerta incluem insônia, crises de ansiedade, isolamento social, irritabilidade e queda na produtividade ou concentração no trabalho.

Quando a preocupação deixa de ser pontual e passa a afetar o sono, os relacionamentos e o cumprimento de tarefas cotidianas, o acompanhamento é necessário. Em casos de impacto na saúde, recomenda-se procurar avaliação médica ou profissional especializado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.