Ibogaína ganha foco em pesquisas para tratamento de vícios e transtornos mentais
Composto extraído de planta africana é estudado para tratar vício em opioides e transtornos mentais, apesar dos riscos cardíacos.
Por Redação Diário Local
A investigação sobre o uso da ibogaína como tratamento para vícios em opioides e cocaína ganhou novos contornos após a morte do modelo Presley Gerber, de 27 anos, ocorrida no domingo (22). O caso, ocorrido em uma clínica de reabilitação na Califórnia, está sendo apurado pelo Departamento de Polícia de Santa Monica como uma suspeita de overdose.
Embora a causa da morte ainda não tenha sido confirmada pelas autoridades, Gerber já havia relatado publicamente enfrentar problemas com o uso de substâncias. Em uma postagem nas redes sociais em março, o modelo chegou a mencionar o uso do composto psicoativo, extraído de raízes de um arbusto africano.
A ibogaína é um dos psicodélicos que tem recebido atenção de autoridades nos Estados Unidos para o tratamento de transtornos mentais graves. O governo federal busca acelerar pesquisas através de ordens executivas que destinam investimentos para o estudo de substâncias que podem auxiliar pacientes com doenças mentais e transtornos como o estresse pós-traumático (TEPT).
Atualmente, a substância é classificada pela Administração de Combate às Drogas (DEA) como uma droga de Lista I, o que significa que possui alto potencial de abuso e não tem uso médico aceito de forma generalizada. Por esse motivo, a posse e a prescrição são ilegais no país.
Como funciona a ibogaína no cérebro?
Pesquisas preliminares sugerem que o composto atua em múltiplos sistemas de neurotransmissores, alterando vias neurais. Esse mecanismo pode promover uma reorganização das redes cerebrais, tornando o cérebro mais maleável e facilitando a formação de novas conexões.
O processo terapêutico costuma apresentar duas etapas: uma fase visual, com duração de uma a quatro horas, e uma fase introspectiva, que pode durar de várias horas a dias. Especialistas apontam que os efeitos da ibogaína tendem a ser mais intensos do que os de outros psicodélicos, como a psilocibina e o LSD.
Entretanto, a comunidade científica mantém cautela. Alguns pesquisadores alertam que as evidências atuais para o seu uso ainda são consideradas modestas e que tratamentos convencionais, como terapia e medicamentos prescritos, continuam sendo as opções preferenciais para a saúde mental.
Quais são os riscos e as medidas de segurança?
O uso da substância envolve riscos significativos à saúde, especialmente cardiovasculares. A ibogaína pode provocar arritmias, vômitos e, em situações graves, levar à parada cardíaca e morte súbita devido à perturbação dos ritmos elétricos do coração.
Para mitigar esses perigos, as autoridades indicam que, caso ocorra uma futura aprovação pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), o uso não será permitido em farmácias. Os medicamentos deveriam ser administrados apenas em ambientes controlados, como hospitais ou clínicas, sob rigorosa supervisão médica.
Atualmente, cientistas buscam desenvolver derivados da ibogaína que mantenham os benefícios terapêuticos, mas que não apresentem os efeitos alucinógenos ou a toxicidade cardíaca característica da raiz original.
