Diário Local
Saúde

Uso de erva kratom gera alerta de autoridades devido a efeitos semelhantes aos de opioides

Substância vendida como suplemento pode causar dependência, alucinações e riscos cardiovasculares, alerta especialistas.

Por Redação Diário Local

O uso da erva kratom tem gerado alertas de autoridades de saúde devido aos seus efeitos sobre o organismo, que podem ser semelhantes aos de substâncias opioides. A planta, que é comercializada em diversas formas como comprimidos, pó ou líquidos, tem ganhado popularidade, mas carrega riscos de dependência e efeitos colaterais graves.

A substância é frequentemente vendida como um suplemento natural para ajudar no controle de dores, ansiedade e depressão. No entanto, especialistas destacam que a facilidade de encontrar o produto em postos de gasolina e lojas de conveniência, aliada à falta de regulamentação, amplia o perigo para os consumidores.

O kratom é derivado de uma árvore originária do Sudeste Asiático, encontrada em países como Tailândia, Malásia e Indonésia. Suas folhas têm sido utilizadas há séculos por meio de chá, mas a popularidade global cresceu quando o produto entrou no mercado americano como suplemento, por volta de 2016.

A composição da planta inclui substâncias como a 7-hidroximitraginina, que ativa hormônios como a dopamina. É essa interação química que explica por que a erva pode produzir sensações distintas dependendo da dosagem utilizada.

Como a substância age no organismo?

Em doses baixas, o kratom apresenta efeitos estimulantes, que podem gerar uma sensação de euforia comparável à da cafeína. Essa característica tem levado alguns usuários a utilizarem a erva para combater a fadiga durante jornadas de trabalho.

Já em doses mais elevadas, os efeitos passam a ser do tipo opioide, proporcionando analgesia (alívio da dor). Além disso, o consumo em altas doses pode causar o retardo do esvaziamento gástrico e provocar sintomas de abstinência.

Especialistas explicam que a substância é in natura, mas nos Estados Unidos é vendida principalmente em formas altamente concentradas. Isso dificulta o controle sobre a pureza do que é comercializado, já que o produto não é regulamentado pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA).

Quais são os principais riscos à saúde?

Entre os efeitos adversos graves, estão as alucinações e a depressão do sistema nervoso central. Em casos extremos, essa depressão pode resultar em colapso cardiovascular e parada respiratória.

O risco de dependência também é uma preocupação central. Devido à facilidade com que se desenvolve uma alta tolerância à erva, os usuários podem sentir a necessidade de aumentar a quantidade consumida para obter o mesmo efeito ao longo do tempo.

Profissionais da área de tratamento de dependência relatam que o uso descontrolado pode afetar relacionamentos e a vida financeira dos indivíduos. Em alguns casos, usuários chegam a consumir até 20 comprimidos por dia para sustentar o efeito.

Qual é o cenário de regulamentação?

A falta de fiscalização governamental é apontada como um dos maiores perigos. Como o produto é classificado como suplemento em muitos locais, não há garantia do que o consumidor está ingerindo, o que permite a comercialização de substâncias sem verificação de conteúdo.

Nos Estados Unidos, o cenário é fragmentado: o kratom é proibido em 11 estados, incluindo Alabama e Arkansas, mas permanece legal em outros, como o Mississippi. Há um debate contínuo entre grupos que pedem a proibição e associações que defendem o uso de produtos naturais.

No Brasil, a substância também não é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma nota técnica publicada em 2023 recomendou, no entanto, a inclusão do kratom na lista de plantas proibidas no país.

Internacionalmente, a proibição já é realidade no Reino Unido e na Malásia, onde a venda é vedada por lei. Na Europa, as legislações variam significativamente de acordo com o país.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.