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Saúde

Redução da poluição do ar melhora desenvolvimento cognitivo de crianças, aponta estudo

Pesquisa da Universidade Columbia acompanhou crianças em Nova York e associou menor exposição a poluentes a melhores testes de memória e fala.

Por Redação Diário Local

A redução da poluição do ar foi associada a melhores resultados de desenvolvimento cognitivo em crianças de Nova York, segundo um estudo da Universidade Columbia. A pesquisa acompanhou mais de 1.100 crianças e comparou mudanças na exposição pré-natal a poluentes com avaliações realizadas nos primeiros anos de vida.

O trabalho, publicado na revista científica Environmental Health, analisou o histórico de famílias de comunidades do norte de Manhattan e do sul do Bronx ao longo de mais de duas décadas. Ao todo, 1.109 crianças foram avaliadas pelo menos uma vez, na idade de 1, 2 ou 3 anos.

Os pesquisadores analisaram a exposição durante a gestação a três poluentes atmosféricos: o material particulado fino (PM2,5), o dióxido de nitrogênio (NO₂) e os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs). O desenvolvimento infantil foi medido por meio das Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil, que avaliam habilidades como processamento cognitivo, memória, percepção sensorial, resolução de problemas e comunicação.

Como os níveis de poluição diminuíram?

Os níveis dos três poluentes analisados apresentaram queda durante o período acompanhado. Entre 1998 e 2016, a concentração média anual de PM2,5 caiu 51%. No mesmo intervalo, a concentração de dióxido de nitrogênio diminuiu 48%.

A redução também foi observada nos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), que tiveram queda de 66% entre 1998 e 2020. A equipe de pesquisa relacionou essa diminuição a um conjunto de políticas de qualidade do ar e clima implementadas em Nova York, incluindo medidas para reduzir emissões de transporte e o consumo de combustíveis em edifícios.

Os pesquisadores ressaltam que os dados indicam um efeito acumulado das diferentes medidas e que não é possível atribuir a redução a uma única política específica.

Quais foram os impactos observados?

Durante o período de redução da exposição aos poluentes, as pontuações de desenvolvimento mental das crianças apresentaram uma tendência de aumento. Os pesquisadores encontraram associações inversas entre os três poluentes e as pontuações cognitivas aos 1, 2 e 3 anos de idade.

Isso significa que exposições maiores durante a gestação estavam associadas a resultados mais baixos nas avaliações. As associações mais claras aos 3 anos apareceram no grupo de participantes recrutados entre 1998 e 2006, que apresentou os níveis mais elevados de exposição e as maiores reduções nas concentrações de poluentes.

No grupo acompanhado posteriormente, entre 2008 e 2016, os níveis de poluição já eram menores, o que tornou a associação entre o material particulado fino (PM2,5) e o desenvolvimento cognitivo mais fraca, embora mantivesse a mesma direção.

A equipe científica também levou em conta outros fatores que poderiam influenciar os resultados, como a redução da exposição à fumaça do cigarro em casa — que caiu de 34% para 18% — e o aumento da escolaridade das mães. Mesmo com essas variáveis, a associação entre a melhora da qualidade do ar e resultados mais altos nas avaliações infantis permaneceu.

Apesar dos dados, os autores não afirmam que os níveis atuais de poluição sejam seguros para todas as crianças. Para Frederica Perera, professora da Universidade Columbia e pesquisadora do trabalho, os resultados reforçam a importância de ampliar estudos sobre os efeitos das políticas de qualidade do ar no desenvolvimento infantil.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.