Ministério da Saúde planeja oferecer remédio injetável contra HIV no SUS ainda em 2026
Governo pretende incluir carbotegravir no rol de tratamentos do Sistema Único de Saúde para facilitar a prevenção do vírus.
Por Redação Diário Local
O Ministério da Saúde planeja introduzir, ainda este ano, o uso do carbotegravir como uma nova modalidade de profilaxia pré-exposição (PreP) para o HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento é aplicado via injeção a cada dois meses e atua impedindo a replicação do vírus de forma prolongada.
O pedido formal para a inclusão da tecnologia será encaminhado à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) na próxima semana (03). O colegiado independente é responsável por avaliar o custo-benefício de novos tratamentos antes de recomendar a oferta pelo setor público, cabendo ao Ministério a decisão final.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo realiza negociações com a farmacêutica GSK, produtora do carbotegravir, para definir o custo final e o volume de doses a serem compradas. O ministro afirmou que a empresa apresentou uma oferta com preço considerado adequado para o sistema público.
A escolha pelo carbotegravir foi motivada pelo custo, em comparação a outras tecnologias. Padilha explicou que o medicamento lenacapavir, que oferece proteção por seis meses, foi descartado por apresentar um valor inviável para o orçamento estatal.
O ministro declarou que, embora o Brasil estivesse disposto a pagar até 10 vezes o valor ofertado a países como Indonésia e Tailândia, a indústria não aceitou as condições propostas. Padilha afirmou que o governo não pretende utilizar recursos de impostos para atender aos interesses de lucro de empresas com preços considerados estratosféricos.
Sobre o lenacapavir, a farmacêutica Gilead informou, em nota, que busca caminhos para garantir o acesso sustentável ao medicamento no Brasil, alinhado às condições do mercado local. A empresa mantém um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para explorar a transferência de tecnologia no país.
Atualmente, o SUS já oferece a PreP na versão oral, por meio de comprimidos que exigem tomada diária. Mais de 350 mil pessoas já utilizam esse método, que possui eficácia comprovada, mas demanda maior rigor na disciplina do uso cotidiano.
A transição para a versão injetável visa melhorar a adesão ao tratamento. Um estudo da Fiocruz, realizado com 1,4 mil pessoas em seis cidades brasileiras, apontou que 83% dos participantes preferem a injeção. No levantamento, 94% dos pacientes compareceram aos serviços de saúde nos prazos corretos para as aplicações, mantendo-se protegidos durante todo o período.
