Sudeste lidera consumo de doces e índice de sobrepeso no Brasil, aponta estudo
Pesquisa aponta que 66% dos entrevistados na região estão acima do peso ideal e que 16% consomem doces diariamente.
Por Redação Diário Local
A região Sudeste concentra os maiores índices de consumo diário de doces e de sobrepeso no Brasil, de acordo com o estudo "A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos". O levantamento foi realizado pelo A.C.Camargo Cancer Center e pela Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados.
Segundo os dados, 16% dos entrevistados no Sudeste afirmam consumir doces e guloseimas todos os dias, o que representa quatro vezes o percentual registrado nas regiões Norte e Centro-Oeste (4%). Além disso, a região apresenta um índice de sobrepeso de 41%, valor superior à média nacional, que é de 37%.
Ao somar os casos de sobrepeso e de obesidade, o estudo aponta que 66% das pessoas entrevistadas na região estão acima do peso considerado ideal.
Quais os riscos para a saúde?
O excesso de peso é apontado como um fator de risco para mais de 10 tipos de câncer, como os de intestino, mama, pâncreas e esôfago. A nutricionista Drielly Kirmse explica que fatores como o alto consumo de alimentos industrializados, o uso de álcool, a falta de planejamento de refeições e o baixo consumo de frutas e legumes influenciam o excesso de peso.
A endocrinologista Mariana Guerra ressalta que o excesso de peso, especialmente o acúmulo de gordura visceral, aumenta as chances de desenvolver doenças como diabetes, hipertensão e alterações no colesterol, o que pode levar a problemas cardiovasculares, como AVC e infarto.
Antonio Antonietto, diretor médico e de governança clínica do A.C.Camargo Cancer Center, destaca que existe uma desconexão entre os hábitos de risco e a percepção de saúde dos indivíduos. Para ele, muitos acreditam que a prática de exercícios compensa uma má alimentação ou o tabagismo, o que não é verdade.
Obstáculos à alimentação saudável
A pesquisa também identificou as principais dificuldades enfrentadas pela população para manter uma dieta equilibrada. No Sudeste, 24% dos entrevistados citam a falta de tempo e o cansaço gerado pela rotina de trabalho como os principais entraves.
Em contraste, no Nordeste, o principal obstáculo apontado pelos participantes foi o preço dos alimentos, mencionado por 34% dos entrevistados da região.
O estudo ouviu 2.015 pessoas com idades entre 16 e mais de 60 anos, por meio de entrevistas presenciais nas 27 unidades da federação, entre os dias 25 e 30 de junho.
