Baterias de carros elétricos enfrentam críticas sobre incêndios e impacto da mineração
Especialistas debatem de incêndios e danos em estradas à exploração de minerais como cobalto para a produção de baterias.
Por Diário Local
A crescente popularidade dos carros elétricos, impulsionada pelo aumento das vendas na América Latina e na Europa, trouxe de volta o debate sobre os impactos e riscos associados às suas baterias. Embora o setor apresente expansão, especialistas e críticos discutem desde a segurança contra incêndios até as condições de extração de minerais essenciais para a produção.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), as vendas de veículos elétricos cresceram cerca de 75% na América Latina e quase um terço na Europa. O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou que o recorde de vendas ajuda a aliviar o impacto dos choques de oferta de petróleo, mas as baterias permanecem como o item de maior custo e vulnerabilidade do sistema.
Os riscos de incêndio e o impacto nas vias são reais?
Um dos pontos centrais das críticas é a propensão das baterias de íons de lítio a sofrerem incêndios, que seriam mais difíceis de extinguir do que em veículos movidos a combustão. Entretanto, dados indicam que veículos com motores tradicionais possuem uma propensão maior a incêndios do que os elétricos.
Outra preocupação recorrente envolve o peso das baterias, que poderia causar danos às rodovias. Contudo, especialistas contestam a tese, afirmando que os principais responsáveis pelo desgaste do asfalto são os caminhões de grande porte.
O dilema ético da mineração de cobalto
A extração de minerais como cobalto e níquel gera preocupações sobre a cadeia de suprimentos, especialmente em minas na República Democrática do Congo (RDC). Investigações mostraram que o trabalho em certas minas de empresas chinesas ocorre em condições precárias, envolvendo inclusive o trabalho de crianças e forte poluição ambiental.
Apesar do cenário, o setor de tecnologia automotiva tem reagido. O diretor-executivo do Smart Energy Council, David McElrea, aponta que a indústria tem incentivado inovações para eliminar o cobalto das baterias modernas. Atualmente, muitas baterias utilizam a tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), que não exige o uso do mineral altamente questionado.
O professor de química Neeraj Sharma, da Universidade de Nova Gales do Sul, acrescenta que composições mais baratas, como as de íons de sódio, também estão chegando ao mercado para reduzir a dependência de materiais caros e tóxicos.
A disputa pela narrativa energética
Existe um embate de visões sobre a disponibilidade de matéria-prima. O instituto canadense Fraser Institute afirmou, em 2023, que seriam necessárias cerca de 400 novas minas de minerais críticos para atender à demanda futura. Já a Agência Internacional de Energia assegura, em relatório, que as reservas geológicas conhecidas são suficientes para a demanda de longo prazo.
Vlado Vivoda, especialista da Universidade de Queensland, argumenta que nem toda crítica é coordenada ou feita de má-fé, defendendo que preocupações com o processamento mineral e o impacto no solo são reais. Para ele, a transição para uma economia de baixo carbono deve focar na transparência das cadeias de suprimento, evitando a romantização da tecnologia limpa e garantindo a aplicação de leis ambientais e trabalhistas.
