Tarifa de 25% dos EUA pode afetar liderança do Brasil no mercado de café solúvel
Sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros pode levar investimentos para concorrentes como Vietnã e México, alerta Cecafé
Por Diário Local
A possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos pode comprometer a competitividade da indústria nacional de café e colocar em risco a liderança do Brasil no mercado global de café solúvel. O entendimento é do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
O setor busca garantir que o café solúvel seja incluído na lista de exceções da Investigação 301, procedimento comercial conduzido pelo governo norte-americano para apurar práticas que possam ser prejudiciais aos seus interesses. A investigação pode resultar na aplicação da sobretaxa sobre uma série de produtos brasileiros.
O café verde — grão ainda não industrializado que representa cerca de 90% das exportações brasileiras para os EUA — já consta em uma lista preliminar de itens que podem ser isentos. No entanto, o café solúvel ainda não foi incluído nas exceções propostas.
Quais os riscos para a indústria nacional?
Caso a isenção não seja concedida, o Brasil pode perder mercado para concorrentes como o Vietnã, que possui acordos comerciais com grandes mercados, e o México, que exporta para os Estados Unidos com tarifa zero devido a um acordo bilateral. Esse cenário pode provocar ociosidade na indústria brasileira e estimular a migração de investimentos para países com condições alfandegárias mais favoráveis.
O mercado norte-americano de café solúvel movimenta aproximadamente US$ 250 milhões por ano. Segundo o Cecafé, a manutenção da tarifa impediria o Brasil de ampliar em até 45% suas exportações nesse segmento.
Em termos técnicos, o setor apresentou aos oficiais dos Estados Unidos dados sobre a importância do produto: o Brasil supre 34% do café consumido pelos norte-americanos e, para cada US$ 1 gasto na importação de café brasileiro, são gerados US$ 43 na economia dos EUA. Além disso, a cadeia cafeeira sustenta cerca de 2,2 milhões de empregos no Brasil.
Negociações com a União Europeia
Além da questão norte-americana, o Cecafé acompanha as negociações comerciais com a União Europeia (UE). O bloco europeu é o maior destino do café brasileiro em valor, movimentando cerca de US$ 7 bilhões por ano e recebendo mais de 70 mil contêineres anualmente.
Atualmente, o café industrializado brasileiro paga uma tarifa de 9% para entrar no mercado europeu. A eliminação dessa cobrança, por meio da entrada em vigor do acordo entre Mercosul e UE, poderia elevar em até 45% as exportações brasileiras para o bloco.
No monitoramento da produção, o setor indica que a safra de 2026 caminha para um volume recorde, apesar de atrasos causados pelas chuvas. Há também atenção para a possibilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, o que pode afetar a safra de 2027.
